Os Xutos & Pontapés, um dos mais duradouros grupos do rock português, atuam na sexta-feira e no sábado em Lisboa, assinalando em palco e entre fãs os 35 anos de carreira.

Os dois concertos, o primeiro dos quais já esgotado, estão marcados para o Meo Arena, antigo Pavilhão Atlântico, onde a banda prepara uma das suas maiores produções de sempre.

A razão destes espetáculos, que inauguram uma nova digressão nacional, é a celebração dos 35 anos de existência dos Xutos & Pontapés e a edição de um novo álbum, «Puro».

Os Xutos & Pontapés estrearam-se em palco há 35 anos, a 13 de janeiro de 1979 nos Alunos de Apolo, em Lisboa, numa noite de celebração do rock n'roll e de despedida dos Faíscas.

Na altura ainda não tinham a legião de fãs de hoje e estavam longe de saber que se tornariam numa das mais resistentes bandas do rock português.

Em janeiro, quando lançaram «Puro», Tim (vocalista e baixista) e Zé Pedro (guitarrista) contaram à agência Lusa que devem aos fãs grande parte da longevidade dos Xutos & Pontapés.

«Os fãs são o que fazem uma banda. Se a gente não tivesse fãs não andava aqui a tocar há 35 anos e de um lado para o outro. São quem nos dá carinho, quem nos defendeu em alturas más e quem esteve connosco em alturas difíceis. São puros, contam de uma maneira especial», afirmaram os dois músicos.

«Estamos sempre naquela: hoje é que é bom e amanhã vai ser melhor. Isso é que é uma grande vantagem, estarmos há tanto tempo todos juntos a compor e a trabalhar, a tocar. E é sempre com esse espírito. Desde que se parta com esta base, as coisas vão para a frente, como está demonstrado neste disco; a maneira como encarámos os temas e como o disco soa. O objetivo de fazer melhor do que fizemos ontem», resumiu Zé Pedro.

Sobre o álbum «Puro» - com as novas músicas a estrearem-se ao vivo nestes dois concertos - explicaram que é o melhor reflexo do que é hoje a banda.

«É puro, não tivemos outras intenções senão louvar aquilo que somos. Quem ouvir o trabalho e quem conhecer os Xutos vai descobrir uma série de coisas - umas [são] referência, outras, novidades, mas permitiram que este disco fosse mais além e novo para nós», afirmou Tim.

Muitas das letras «são um reflexo do que se passa atualmente», disse Zé Pedro.

Isso ouve-se, por exemplo, em «O milagre de Fátima», no qual Tim diz «Que se cante o fado/ que se louve a saudade/ este país quer mais futebol/ que nada se passe/ a não ser a fome/ e que o país por fim/ apodreça».

Em Lisboa, os concertos da banda serão antecedidos por uma atuação do DJ Cruzfader, que integra os Orelha Negra.