O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que o reequilíbrio da economia portuguesa continua em risco, devido às importantes necessidades financeiras e à manutenção de estrangulamentos ao crescimento e à competitividade.

O alerta consta do comunicado que o FMI divulgou depois de aprovar a 11.ª avaliação ao programa designado de assistência económica e financeira a Portugal e o desembolso correspondente, de cerca de 851 milhões de euros.

O primeiro subdiretor-geral e principal responsável em exercício do FMI, David Lipton, fez o aviso depois de salientar «a continuação da melhoria da perspetiva macroeconómica de curto prazo e a manutenção da trajetória do programa» [de assistência].

Acrescentou que «as autoridades permanecem empenhadas com a disciplina orçamental e especificaram as medidas necessárias para alcançar o objetivo orçamental em 2015», salientando também que «prosseguem os esforços para reforçar os balanços dos bancos».

Depois dos elogios, veio o alerta: «Portugal porém continua a precisar de resolver importantes desafios, uma vez que as grandes necessidades financeiras deixam o país sensível à volatilidade dos mercados e os estrangulamentos ao crescimento e à competitividade podem adiar o necessário reequilíbrio da economia.»

Com o pagamento desta tranche, o valor total do empréstimo já concedido pelo FMI a Portugal ascende a cerca de 25,68 mil milhões de euros, de um total de 26,58 mil milhões que o Fundo tinha acordado para o país.

O dirigente do FMI aconselhou Portugal a manter «os esforços de consolidação orçamental» para colocar a dívida «em trajetória descendente», acrescentando que «o sólido registo das autoridades em aplicar medidas extraordinárias oferece garantias importantes».

Porém, insistiu, «continua a ser necessário uma monitorização estreita da evolução orçamental e mais progressos na reforma das pensões e da administração pública, bem como em áreas orçamentais estruturais».

David Lipton qualificou um «compromisso permanente com uma agenda estrutural» como «crítico para aumentar o potencial de crescimento de Portugal».

A este propósito, particularizou que, «em muitas áreas, as reformas têm ainda de se traduzir em mudança efetiva, o que apela para uma estratégia de médio prazo para eliminar as dificuldades que permanecem no mercado de produto e de trabalho, ao mesmo tempo que se melhora o clima de negócios».

Lipton apelou ainda a «uma vigilância contínua do setor financeiro», elogiando as iniciativas recentes do Banco de Portugal e relembrando o «papel central» do sistema de bancos centrais da zona euro no alívio dos constrangimentos de financiamento.

Por fim, o dirigente do FMI destacou, como «essenciais», as «políticas de gestão de crises na zona Euro, incluindo o compromisso pelos líderes europeus de apoiarem Portugal até que seja restaurado o acesso pleno ao mercado».