As previsões do Banco de Portugal (BdP) apontam para que a economia nacional destrua mais 4,8 por cento do emprego este ano, depois de uma queda de 4,2% em 2012. Segundo as estimativas, prevê-se que, no próximo ano, haja uma redução de 1,3% do emprego.

De acordo com o Boletim Económico de Verão, divulgado esta terça-feira, esta evolução traduz «uma redução muito acentuada tanto do emprego público como do emprego no setor privado», tendo esta estimativa implícita uma redução do emprego privado de 5,1% em 2013 e uma queda de 0,3% em 2014.

«À semelhança do ocorrido em 2012, a redução do emprego no horizonte de projeção deverá ser claramente superior à da atividade [económica], o que sugere que o ajustamento é percebido pelos agentes económicos como permanentes. A existência de fenómenos de retenção de emprego é, desta forma, reduzida, o que se deverá acentuar num cenário de prolongamento do período recessivo», argumenta a instituição liderada por Carlos Costa.

No relatório, os técnicos do BdP alertam que esta situação «poderá colocar desafios adicionais ao mercado de trabalho» e que «a reafetação setorial do emprego, que é potenciada por uma evolução da atividade particularmente desfavorável nos setores relativamente mais intensivos em mão-de-obra, como a construção, pode gerar fenómenos de persistência de desemprego».

Estas previsões são mais negativas do que as apresentadas pela instituição em março, quando o BdP divulgou o Boletim Económico de Primavera, em que indicava que a economia portuguesa deveria destruir mais 3,3% dos empregos durante este ano até conseguir atingir uma «relativa estabilidade» em 2014.

Quanto ao crescimento, as previsões apontam para uma recessão, embora mais ligeira, de dois por cento este ano, contra a previsão inicial de 2,3%. No entanto, para o ano, em vez de se registar um crescimento de 1,1% vai apenas registar-se uma subida ligeira de 0,3%.