Todos temos músicas que nos deixam mais ou menos a pairar, a flutuar, mas será possível que som nos faça... levitar, literalmente? Há uns engenheiros japoneses que acreditam que sim. «Levitação acústica». Eles usam as ondas sonoras para suspender objetos sólidos no ar. O sistema permite testar e manipular objetos, sem precisar de caixas ou de qualquer tipo de recipiente. Facilita imenso a arrumação.

Yoichi Ochiai é estudante e faz parte da equipa que desenvolveu um mecanismo de levitação acústica capaz de suspender materiais, sólidos ou líquidos, desde que não sejam muito pesados, em pleno ar, onde depois podem ser movidos e manipulados, para cima e para baixo ou para os lados. São quatro pequenas colunas. Cada uma delas tem lá dentro uma série de altifalantes ainda mais pequenos - são os transdutores. E estes transdutores emitem ondas sonoras de altas frequências. Esse «som» é impercetível ao ouvido humano, mas está concentrado num único ponto central. Quando nesse ponto as ondas sonoras chocam umas com as outras, cria-se um espaço ultrassónico, que podemos mexer de um lado para o outro... e onde a gravidade não existe tal como a conhecemos.

«Estou a usar cerca de mil altifalantes, todos direcionados para o mesmo ponto. Se pusermos um objeto nesta zona, ele fica aqui parado, estável, à espera que o façamos mexer», explica Yoichi Ochiai.

Até passa por um truque de magia, mas esta tecnologia tem objetivos práticos. Ochiai afirma que pode ser usada na manipulação de componentes eletrónicos que exijam elevada precisão, ou para desenvolver novos medicamentos ou compostos químicos sem perigo de contaminação.

«Na farmacêutica, por exemplo, teríamos como controlar, misturar e recombinar os medicamentos. Mesmo que sejam líquidos», acrescenta o estudante.

Para já a tecnologia está limitada a objetos muito pequenos. Fazer levitar uma pessoa, por exemplo, está fora de causa.

«Não me parece possível fazer levitar um ser humano com esta técnica. Atualmente precisamos de 400 watts para fazer flutuar 1 grama, o que é um esforço considerável. Os seres humanos são grandes demais para os comprimentos de onda ultrassónicos. Os que usamos agora têm cerca de 4 milímetros. Se os usássemos numa pessoa, ou lhe abríamos um buraco nela ou a incendiávamos», diz ainda Yoichi Ochiai.

Ochiai acredita que algures durante os próximos cinco anos se começarão a ver aplicações práticas do seu trabalho.

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