Investigadores norte-americanos esperam muito em breve conseguir dar mais tempo de vida aos doentes de esclerose amiotrófica lateral. Esta doença neurodegenerativa atualmente equivale a uma condenação à morte. O sistema nervoso dos doentes é completamente destruído. Mas a injeção de células estaminais tem conseguido travar a doença.

April Moundzouris, uma doente de Esclerose Amiotrófica Lateral, presa a uma cama de hospital, nas vésperas de uma cirurgia experimental, recorda na perfeição o dia em que a sua vida mudou. Foi em Outubro de 2013.

«O primeiro médico deu-me a notícia no dia 28 de Março de 2012. Fui à procura de segundas opiniões. Ainda podia haver uma esperança, entende? Em Junho encontrei-me pela primeira vez com o Dr. Glass. E foi ele que me deu a última palavra. Eu tinha esclerose», conta April Moundzouris.

Não há cura para este tipo de esclerose. É uma doença neurodegenerativa mortal que vai acabando com o sistema nervoso, deixando as suas vítimas paralisadas e incapazes de respirar. A maior parte dos doentes morre no espaço de três anos após o diagnóstico. Mas o Dr. Jonathan Glass e uma equipa de neurocirurgiões têm a esperança de conseguir prolongar a vida dos doentes, ao mesmo tempo que aliviam os piores sintomas.

«O que temos aqui é uma doença implacável e completamente impossível de tratar. O que estamos a fazer é a tentar controlar a sua evolução, de maneira a que quando estamos a ir por ali abaixo consigamos atenuar essa curva descendente - e basicamente permitir que os nossos doentes vivam mais tempo. Torna-se uma doença "crónica", em vez de uma doença "terminal"», refere Jonathan Glass, professor de Neurologia e Patologia da Universidade de Emory.

E para isso Jonathan Glass e os seus colaboradores vão na segunda fase dos testes em humanos. Milhares de células estaminais são injetadas no topo da medula espinal dos doentes. São células estaminais especialmente desenvolvidas por uma empresa de biotecnologia para o tratamento de doenças neurodegenerativas como a Esclerose Amiotrófica Lateral. Glass garante que o tratamento tem funcionado em ratos de laboratório.

«As células estaminais são interessantes, e até mágicas, de certa forma, porque não sabemos exatamente o que conseguem fazer. Já provaram como funcionam extraordinariamente bem noutros tipos de doença. Aqui contamos que, tal como aconteceu com as cobaias, ajudem a estabelecer ligações entre neurónios, mantendo os motores saudáveis», acrescenta Jonathan Glass.

Se estas células estaminais conseguirem reparar e reconstruir os caminhos que constituem o sistema nervoso, o Dr. Glass e a sua equipa esperam conseguir dar um pouco mais de tempo a todas as vítimas da doença. Pessoas como April Moundzouris, que três meses depois da operação garantia que se sentia melhor. Ela sabe que este tratamento não lhe vai salvar a vida, mas espera que possa pelo menos ajudar os investigadores a compreender melhor a doença..., e a prolongar a vida de quem a tem.

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