Um fotógrafo (e agora empresário) criou os próprios drones, para gravar imagens da vida selvagem, com a qualidade dos melhores documentários de David Attenborough... mas a um preço super low cost. Will Burrard-Lucas já tinha convencido alguns fotógrafos da vida selvagem com a sua primeira invenção - uma «beetlecam», que filma ao nível do chão. Agora espera ter os mesmos resultados com o seu «beetlecopter».



Para os fotógrafos da vida selvagem, o Serengueti, na África Oriental, é um festim de oportunidades para quem queira sacar um boneco «daqueles». Mas o registo de imagens aéreas de alta qualidade foi sempre caríssimo, implicando aviões, ou helicópteros, mais todos os custos que lhes estão associados. Só que isso era dantes. O empresário, fotógrafo e inventor Will Burrard-Lucas fez o seu documentário no Serengueti a preço de saldo, graças ao Beetlecopter, um drone que ele próprio desenhou e construiu. Tem uns pequenos propulsores, capazes de levantar uma câmara suficientemente leve, mas fácil de encontrar em qualquer loja, e um giroscópio, para a manter estável.

«A ideia era fazê-los o menos intrusivos possível. Projetei-os para serem muito leves, com uma câmara leve, e propulsores de alta qualidade, menos ruidosos. De resto, têm um giroscópio topo de gama que mantém a câmara muito estável», afirma Will Burrard-Lucas, criador do Beetlecopter e da Beetlecam.

Para além disso o drone transmite aquilo que «vê» em direto e em tempo real, o que nos permite controlar devidamente a rodagem até um quilómetro de distância, o que é ótimo se quisermos andar a gravar animais perigosos.

«O sinal de vídeo da câmara chega-me através deste transmissor, o que me permite ver exatamente o que a câmara "vê" com estes óculos de realidade virtual, e com isso consigo compor devidamente os meus planos e gravar exatamente aquilo que pretendo», explica Burrard-Lucas.

Burrard-Lucas projetou e construiu a sua primeira frota em 2013. Em Dezembro andou a testar o seu Beetlecopter no Serengueti. O drone consegue voar durante cerca de 15 minutos até ter de recarregar a bateria. Burrard-Lucas espera agora que estas imagens convençam profissionais e amadores a passarem pelo seu site para lhe comprar o drone. A bem-dizer, esta já é a sua segunda grande invenção nesta especialidade da vida selvagem. Há quatro anos, ele lançou a Beetlecam, que aparentemente foi um sucesso entre os fotógrafos. A Beetlecam permite-nos ficar a meros centímetros do nosso alvo.

«Frequentemente são muito curiosos. Os leões, por exemplo, vêm logo ter com a câmara. É como se conseguisse fazer-lhes festinhas no nariz enquanto os fotografo. E também reagem aos drones, não tanto pelo que veem, mas pelo que ouvem, que é um som que estranham e não conseguem perceber de onde vem. Foi por isso que os construí o mais silenciosos que pude. Consigo aproximar-me a uns dez metros antes de o barulho os começar a perturbar», diz ainda Will Burrard-Lucas.

Enquanto arruma dois Beetlecopters para o seu regresso ao Serengueti, Burrard-Lucas já pensa na próxima criação - uma gama de sensores armadilhados para máquinas DSLR. Se o Beetlecopter tiver tanto sucesso como teve a Beetlecam, ele poderá dedicar mais tempo ao seu sonho, que é documentar a extraordinária vida selvagem africana com a grandiosidade que ela merece.

As Beetlecams vendem-se online, dos dois mil euros para cima. O Beetlecopter começa nos dois mil e trezentos, dois mil e quatrocentos euros, e é compatível com várias câmaras, embora se recomendem os modelos mais leves, como a GoPro Hero 3, por exemplo, para fazer render a bateria e o tempo de voo.

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