Um médico legista no Reino Unido expressou «grande preocupação» acerca de um videojogo violento, «Call of Duty», após quatro adolescentes se terem suicidado depois de terem jogado regularmente. John Pollard afirmou que o videojogo, que inclui cenas de soldados a matarem-se uns aos outros, esteve em destaque em vários inquéritos a que presidiu.

De acordo com o jornal «The Telegraph», a advertência do médico legista surgiu depois de uma audiência sobre a morte do estudante William Menzies, que estava «sempre» a jogar «Call of Duty». O aluno de 16 anos, que tirava nota A em Biologia, Física, Política e Psicologia numa das melhores escolas da Grã-Bretanha, não tinha evidenciado sinais de depressão ou angústia antes do suicídio.

Em março de 2012, outro adolescente, Callum Green, enforcou-se depois de jogar «Call of Duty» com o padrasto. O mesmo videojogo surge associado à morte de dois outros adolescentes, cujo nome não foi divulgado.

Na gravação da conclusão do inquérito ao suicídio de William Menzie, o médico legista afirmou: «Tenho que dizer, e isto depois de três ou quatro inquéritos sobre mortes de adolescentes, que o videojogo "Call of Duty" figura na atividade antes da morte. Isso preocupa-me muito».

Aquele videojogo «tem figurado num número de mortes que estou a investigar. Suspeito, mas não sei porque não tenho provas suficientes, que William [Menzie] pode ter feito experiências com alguma coisa ou com intenção deliberada, mas não temos evidência», disse ainda John Pollard. E acrescentou: «Não havia nenhuma nota ou indicação de que ele estava a sentir-se em baixo ou angustiado».

«Call of Duty», é um videojogo de guerra produzido pela Activision, em que os jogadores participam numa batalha, que inclui cenas explícitas e extremas de matança. As vendas ascendem a 100 milhões de cópias em todo o mundo, mas têm sido marcadas pela controvérsia, com o conteúdo violento a ser criticado pelo Fórum Judaico de Londres, pelo Fórum Islâmico Britânico e pela Igreja Anglicana.

Anders Breivik, autor da matança de Utoya, em 2011, na Noruega, afirmou que «treinou para matar» as 77 vítimas ao jogar «Call of Duty».