Muito se falou de vídeo em Amesterdão. Aliás, só se podia falar de vídeo em Amesterdão, a cidade escolhida este ano para acolher a versão europeia da VIDCON. Do Facebook ao Youtube, do Instagram ao Twitch, passando também pelo vídeo nativamente distribuído dentro dos websites das empresas de media no seu digital. Mas quais, afinal, as conclusões?

Em primeiro as empresas continuam, no geral, a dispender demasiado (tempo e dinheiro) nas plataformas sociais. Nada contra. Nada a favor. Apenas uma constatação de quase todos os especialistas independentes que por lá passaram na VidCon. O que preocupa? Tarde demais percebem (anos depois) que estiveram mais preocupados em gerar tráfego para satisfazer gráficos bonitos para mostrar acima do que a criar uma audiência. Ou como disse um especialista, quando mais do que até criar uma audiência deviam era estar preocupados em criar e defender uma comunidade, e rentabilizá-la, pensar no RÓI e nas vendas e menos no volume. Tal até pode ser mais debatível nos media, onde tráfego = anúncios servidos, mas fora desse ecossistema não percebem como tantas marcas dispendem tanto sem investir nos seus ecossistemas, ficando cada vez mais à mercê dos algoritmos desta e daquela e da outra rede social.

Mais do que perceber como ser grande é como conseguir ter uma relação direta com o cliente. Mais do que envolvimento, que se torna difícil quando se criam comunidades monstruosas de seguidores-lixo nas redes sociais, é como criar comunidades de reais seguidores e clientes e de como no digital lhes prestar informação, promoção e novidade numa experiência que gere receitas e satisfação para ambos.

Do lado do Facebook, a constatação é hoje óbvia: em breve o newsfeed do Facebook deixará de aumentar o inventário de publicidade disponível, face a uma normal estagnação de utilizadores. Portanto cabe à plataforma de Zuckerberg conseguir mais retenção e uso. Tal só e possível com… um novo newsfeed - o vídeo, num duplo movimento criando um novo feed e daí o surgimento do Facebook Watch, uma espécie de youtube-tv dentro do Facebook: e já que video significa tempos de consumo maiores, mais inventário e de melhor qualidade, servido dentro do conteúdo e sem forma de o passar à frente, logo melhor viewability também, logo valores de publicidade mais altos. 

Por fim, a reboque das fake-news e do tema da qualidade de informação e da veracidade da mesma, muito se falou em Inteligência Artificial. Mas muito também de curadoria humana. Creio aliás nunca ter ouvido falar tanto de curadoria humana. Irónico, certo? Foram vários os painéis onde se debateu a moderação nos comentários no Facebook, Instagram e Youtube. Com resultados provados. Ou seja, Google e Facebook sabem que ainda que o futuro pertença à inteligência artificial, esse futuro ainda está distante e nada há que substitua a curadoria humana de momento, daí o favorecimento de páginas que comprovem saber gerir a sua “casa” e impor respeito nos comentários.

Quanto a futuro próximo os temas adicionais, em volta do video, foram sem dúvida como criar conteúdos de valor  (onde se percebeu que as marcas estão muito dependentes do talento de influenciadores e criativos digitais e da agência para mediar e amplificar, mas pouco know-how existe nos marketers sobre conteúdo); novamente o tema das fake news, mas agora com camadas preocupantes de complexidade, tendo sido falados e dados vários exemplos de vídeos onde a veracidade aparenta mas não existe, o que trará grande preocupação às marcas sobre a gestão da reputação, controlo de crises e, claro, a todos como cidadãos pela fuga à manipulação. A resposta, uma vez mais, só parece conseguir vir das marcas que sobrevivam ao longo do tempo e nesse tempo demonstrem e comprovem que o que fazem é isento e de confiança absoluta, mas isso implica conseguirem subsistir à espuma da convulsão atual… e não falir por entre o tumulto.

Por fim, muito Facebook, Youtube, Instagram, Twitch, Music.ly, Snapchat.... mas nem uma única palavra nos vários painéis sobre o Twitter. Jack Dorsey & Ca. conseguirão recuperar a rede do pássaro azul de se tornar numa rede de nicho para baby boomers e adultos da geração X?