Foi às 17 horas e 46 minutos desta sexta-feira que o planeta Terra esteve no ponto mais distante do Sol. Este fenómeno chama-se "afélio" e acontece uma vez por ano assim como ao contráio, o "periélio", quando a Terra consegue chegar ao ponto mais próximo do Sol. O periélio, este ano, aconteceu no dia 3 de janeiro. 

A Terra esteve esta sexta-feira a 152 milhões de quilómetros da sua estrela, mais cinco milhões do que quando está no mais próximo. Isto acontece porque a órbita da Terra à volta do Sol não é uma circunferência perfeita, mas sim uma elipse. 

Quando o nosso planeta está no ponto mais próximo do Sol, a sua velocidade em redor dele aumenta: assim que se aproximar o mais possível do Sol, vai passar a andar a 30,3 quilómetros por segundo (ou 110.700 km/h). É uma diferença de dois quilómetros por segundo em relação à velocidade que tem quando está no ponto mais distante do Sol.

Quem deu conta que isto acontecia foi o astrónomo alemão Johannes Kepler e, por isso, é este fenómeno é chamado de leis de Kepler: quando os planetas estão mais perto do Sol movem-se mais rápido do que quando estão mais longe. 

Isto influencia também a duração das estações do ano. 

As estações do ano acontecem pela inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano de órbita que faz ao redor do Sol, por isso é que a chamamos de 'eclíptica'", disse a astrofísica e professora do Instituto de Astrofísica das Canárias, à BBC Brasil, Nayra Eugenio.

Este eixo está inclinado a uns 23,5 graus. Por isso, quando estamos no verão do Hemisfério Norte, o eixo norte está apontado mais em direção ao Sol. Enquanto que no inverno, o Polo Norte está apontado na direção oposta. 

No Hemisfério Sul, por outro lado, o verão coincide com o periélio.

Isso pode-nos fazer pensar que no Hemisfério Sul a temperatura sobe mais do que no Norte no verão porque, além da inclinação, a Terra também está mais perto do Sol", disse a professora e astrofísica. 

Ao estar mais perto do Sol, então a estação seria mais quente. Pode parecer estranho, mas não é isso que acontece. O que acontece mesmo é que "no Hemisfério Sul há maior quantidade de água e isso faz com que a temperatura não aumente tanto", diz a especialista.

Isto deve-se então à Terra aquecer mais facilmente do que a água e, como o Hemisfério Sul tem uma proporção maior do seu território coberto por água, o excesso de energia é absorvido lá. 

Por isso, no verão, "tanto no Hemisfério Sul como no Norte, a temperatura é aproximadamente a mesma", explicou a astrofísica.