A empresa norte-americana Apple publicou na terça-feira um relatório de transparência que revela os pedidos de dados privados de utilizadores efetuados no primeiro semestre do ano por dezenas de Governos de todo o mundo.

Trata-se de um documento estatístico semelhante a outros apresentados nos últimos meses por empresas do setor como a Facebook e a Yahoo, que pretendem clarificar o grau de cooperação com as autoridades quando estas lhes solicitam informação confidencial relativa aos seus clientes.

As autoridades norte-americanas foram as que solicitaram mais dados de clientes à Apple entre janeiro e junho, tendo sido registados entre mil e dois mil pedidos referentes a 2 mil a 3 mil contas de utilizadores.

A Apple não revelou, no entanto, a quantos destes pedidos respondeu positivamente, apesar de divulgar essa informação no caso de outros 30 países.

«Neste momento, o Governo dos Estados Unidos não permite à Apple tornar público o número de pedidos, de contas afetadas ou se foi fornecida a informação» solicitada, sustentou a empresa, salientando que as autoridades procuram dados como conteúdos de correios eletrónicos e fotografias.

O Reino Unido foi o segundo país que fez mais pedidos semelhantes à Apple, seguindo-se Espanha.

O Brasil é o único país da América Latina que figura na lista, com oito pedidos sobre oito contas de utilizadores, mas a Apple recusou fornecer a informação solicitada.

A Apple informou de que pediu às autoridades norte-americanas autorização para divulgar mais informação sobre os pedidos de Governos.

Esta iniciativa surge em sequência da situação comprometida em que ficaram grandes empresas de Silicon Valley depois das revelações do ex-técnico da CIA Edward Snowden sobre a rede de espionagem mundial dos Estados Unidos que questionaram a sua integridade.