Os portugueses recorrem cada vez mais a compras em sites para descontos de grupo, como Groupon, Click2Deal ou Forretas.com, que deverão movimentar este ano mais 16 por cento, enquanto se alargam para novas áreas, como o turismo.

De acordo com Gonçalo Poças, responsável de marketing do portal Forretas.com, este é «um dos poucos setores a crescer em Portugal»; no ano passado a faturação dos sete principais sites, que representam 75% do mercado, rondou 24 milhões de euros em 2012 e este ano deverá alcançar 28,6 milhões de euros, mais 16 por cento.

Gonçalo Poças, cujo sítio, a que se refere como «o Google dos descontos», lança diariamente até 200 descontos de diferentes tipos, afirma que as ofertas agregadas são de parceiros recomendados, e «a estética tem uma oferta enorme».

Segundo um inquérito recente do Observador Cetelem, 57% dos portugueses já utilizaram sítios de compra em grupo e 81% pretende recorrer a eles nos próximos anos, o que compara com médias de 42% e 61%, respetivamente, dos doze países incluídos no estudo, o que indica que os portugueses são os europeus mais interessados nestes portais.

De acordo com o Observatório Cetelem, 17% dos europeus «não aderirão» à compra na Internet, principalmente pela «necessidade de estarem in situ, em contacto com o produto», exigência à qual a Internet não pode responder.

Embora a estética protagonize grande parte das vendas de descontos, existem portais que rejeitam aceitar estas ofertas, caso da Click2Deal (C2D), que renasceu nos princípios de julho, após ser adquirida pela start-up Atlantigadget, gerida por António Henriques e Carlos Baptista.

Henriques, em entrevista à Lusa, assegurou que muitos parceiros não querem aparecer ao lado de ofertas de estética, dado que estas só «atraem clientes que procuram descontos ao oferecerem saldos muito agressivos».

Henriques afirmou que o grande desafio da C2D é diferenciar-se da concorrência «com ofertas de qualidade», centradas no turismo e na hotelaria, que não danifiquem a imagem dos parceiros, tentando chegar a um público que queira conhecer «lugares diferentes» e que «esteja disposto a gastar para além do desconto», por exemplo noutros serviços do hotel para o que adquiriu o pacote.

Segundo fontes do sítio de descontos Groupon, que realiza a sua atividade empresarial em 48 países, em 2012 os cupões mais vendidos foram os relativos a compras de tecnologia e artigos para lar (70.000 cupões), seguidos pelos descontos em tratamentos de beleza (8.000 em emagrecimento e 7.800 em cabeleireiros).

No seu relatório do primeiro trimestre de 2013, a Groupon verifica que 78% dos seus clientes «não teriam ido à empresa parceira se não tivesse existido a oferta da Groupon», e 25% nem sequer pensavam em adquirir o serviço antes de verem o desconto.

José Tavares, gestor de uma loja on-line, é um dos utilizadores recorrentes dos sítios de descontos, nos quais procura ofertas «essencialmente de restaurantes», embora tenha adquirido algumas «experiências de fim de semana».

Tavares declara que as suas compras, geralmente, «correram bem», sendo que, após ter encontrado empresas que nem conheciam a existência do cupão, agora costuma assegurar-se de que o parceiro «está informado sobre o sistema de descontos».

Ana Aranda, jornalista espanhola a trabalhar em Portugal, reconhece que o uso destes cupões ajuda-a a conhecer restaurantes «aos quais não teria acesso se não existir o desconto», mas é também precisamente por esses motivos económicos que «poucas vezes» volta aos locais, acrescenta.