Uma colónia de morcegos de Bechstein, espécie em perigo de extinção, foi identificada na Tapada de Mafra, revelou esta quinta-feira o biólogo Hugo Rebelo, que coordena uma investigação sobre morcegos na Península Ibérica para o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), da Universidade do Porto.

«Encontrámos uma pequena colónia de oito indivíduos na tapada, o que foi uma agradável surpresa. É uma espécie muito rara na Europa», afirmou o especialista à agência Lusa.

Hugo Rebelo explicou que o «morcego de Bechstein» está confinado à Europa Ocidental e Central e habita florestas centenárias, com espécies arbóreas nativas.

Para o biólogo, a existência desta colónia de morcegos em perigo de extinção «é um indicador» de que a tapada mantém a sua biodiversidade.

Além do «morcego de Bechstein», também foram identificadas outras duas espécies, o «morcego rato grande» e o «morcego de franja», que elevam para uma dúzia as espécies de morcegos existentes na tapada de Mafra.

«Estas novas espécies são emblemáticas. Uma delas tem a sua distribuição restrita à Península Ibérica. É um morcego ibérico, o que é raro. A outra está associada à Península Ibérica e norte de África», referiu o investigador.

O biólogo acredita que mais espécies de morcegos podem ainda vir a ser encontradas no local.

De acordo com os especialistas, a Tapada de Mafra é o único abrigo de morcegos na região Oeste, com floresta densa e árvores autóctones, como sobreiros ou freixos.

A descoberta na tapada, surgiu no âmbito de uma monitorização das espécies de morcegos aí existentes pelo grupo de dez investigadores do projeto do CIBIO. O relatório da investigação será apresentado à comunidade científica nas Jornadas Quiropterianas, no dia 26 de outubro em Sintra.