Uma equipa do Centro de Investigações Ginecológicas espanhola (CNIO) atualizou o número de genes humanos em 19.000, menos 1.700 do que o estimado anteriormente.

O estudo, publicado na revista Human Molecular Genetics, considera que 995 destes genes têm uma origem anterior aos primatas, de mais de 50 milhões de anos.

Este trabalho de investigação foi chefiado por Alfonso Valencia, vicediretor de Investigação Básica e chefe do grupo de Biologia Computacional Estrutural do CNIO, com sede em Madrid.

O investigador espanhol descreve a situação como «o genoma humano minguante», e lembra que «a parte codificadora do genoma - a que produz proteínas - está em constante movimento».

De acordo com uma nota do CNIO, há alguns anos chegaram a ser quantificados 100.000 genes humanos.

Outros genes não-produtores de proteínas são pouco conhecidos, apesar de terem funções celulares específicas.

Para chegarem a estas conclusões, os investigadores partiram da análise proteómica (análise de proteínas) a grande escala para determinar o mapa de proteínas humanas a partir do qual é possível identificar os genes que as produzem e, desta forma, verificar, ou não, a sua existência.

Para isso, foram integrados os dados provenientes de sete trabalhos anteriores de espectrometria de massas, a ferramenta mais poderosa para detectar moléculas, neste caso proteínas de mais de 50 tecidos.

Além do número, este trabalho apresenta ainda outra hipótese: que mais de 90% dos genes humanos produtores de proteínas têm origem em organismos pluricelulares existentes no reino animal há centenas de milhões de anos.

«Os nossos números indicam que as diferenças entre humanos e primatas, a nível de genes ou proteínas, são muito pequenas», de acordo com os autores.

Para David de Juan, um outro investigador, «o número de genes que separa os humanos dos ratos - anteriores aos primatas na escala evolutiva - poderá ser inferior a dez».

Mas Valencia sublinha que «este trabalho questiona o que foi escrito anteriormente e, por isso, será necessário refazer todos os cálculos e não apenas os do genoma humano».

«Os nossos dados estão a ser analisados pelo Gencode (um consórcio científico internacional) para serem integrados em novas anotações. Quando isso acontecer será necessário redefinir toda a cartografia do genoma humano, que está a ser usada em macroprojetos como a da análise do genoma do cancro», sublinha Valencia.

Para os autores deste trabalho, a complexidade do ser humano não se deve tanto ao número de genes que possui, mas como estes são utilizados: as milhares de modificações químicas que ocorrem nas proteínas, localização ou interação com outras.