Uma equipa de cientistas internacionais descobriu que diversas espécies de aranhas podem capturar e comer peixes. As aranhas são tradicionalmente vistas como predadoras de insetos, mas um novo estudo, publicado na «Plos One», sugere que o consumo de peixe é comum entre espécies que vivem perto da água.

Em alguns casos, os aracnídeos usam venenos poderosos para matar peixes com portes muito superiores aos seus.

Martin Nyffeler, da Universidade de Basileia, na Suíça, e Bradley Pusey, da Universidade da Austrália Ocidental, analisaram mais de 80 espécies de aranhas a alimentarem-se de peixes.

O relatório mostra que aranhas de até cinco famílias foram vistas a comer peixes pequenos em condições naturais, e outras três conseguiram capturar peixes em condições laboratoriais. Estas aranhas semiaquáticas normalmente vivem à margem de ribeiros de água, lagos ou pântanos.

Algumas são capazes de nadar, mergulhar e andar sob a superfície da água, e, geralmente, utilizam neurotoxinas e enzimas poderosas para matar e digerir os peixes maiores e mais pesados.

Ainda segundo o estudo, o consumo de peixes por aranhas foi registado em todos os continentes, à exceção da Antártida. A maioria dos casos ocorreu na América do Norte, especialmente em terrenos húmidos da Flórida.



Ao contrário do que estamos habituados a ver, a captura destes peixes não depende de teias. Em lagos, rios, ribeiros, poças, pântanos, as aranhas picam os peixes na base da cabeça com as quelíceras e injetam o veneno.

O veneno é composto por diversas moléculas, e algumas são neurotoxinas específicas para os vertebrados. Alguns peixes morrem em 20 minutos, outros podem sobreviver até 50.

As aranhas carregam os peixes para um local seco, depois destes morrerem, antes de injetarem enzimas digestivas no corpo dos animais. Todo este processo pode demorar algumas horas.