Um mundo sem bananas, por difícil que possa imaginar-se, pode ser uma realidade no futuro, caso não se consiga travar o fungo conhecido cientificamente por fusarium. O maior problema, como atesta a FAO, a organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, é que a sua erradicação é, para já, improvável.

Na década de 50 do século passado, o fungo surgiu em plantações da banana conhecida com Gros Michel, então a mais exportada mundialmente. Ficou conhecido como "a doença do Panamá".

A solução levada a cabo foi de substituir as plantações por outra variedade de banana, a Cavendish, que atualmente constitui 99% do comércio mundial, segundo refere o jornal britânico The Independent.

Só que o fungo reapareceu. É agora conhecido por Tropical Race 4 (TR4) e está a dizimar as plantações de bananas, um pouco por toda a parte, nas Américas, África e Ásia.

Trata-se de um tipo muito comum de fungo chamado fusarium, que provavelmente já estava no solo. Basta um pouco de matéria contaminada para o espalhar como um incêndio e pode ser transportado pelo vento, pelos carros, pela água, infetando os locais onde chega", refere à cadeia de televisão CNN; Dan Koeppel, autor do livro "Banana: The fate of the fruit that changed the world”: traduzindo, "Banana: o destino da fruta que mudou o mundo".

Salvar as bananas

As más práticas de cultivo usadas nos anos 50 do século passado são uma das razões apontadas, segundo refere o The Independent, para que o fungo fusarium tenha reaparecido em força.

O problema levou a FAO a encetar um programa de emergência em África para tentar salvar as plantações de bananas atingidas pelo TR4, sendo que a solução passa muitas vezes por arrasar a plantação e apostar depois em espécies diferentes.

Ainda assim, nada parece ser garantido. O fungo invade a planta através das raízes, circula pelo xilema - o sistema vascular dos tecidos que transporta a água e os nutrientes - bloqueando essa circulação e levando à morte da bananeira.

A organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura alerta que o fungo pode permanecer adormecido no solo por mais de 30 anos, sendo resistente aos fungicidas. A sua propagação pode ocorrer através das pessoas, animais e veículos que transportem os esporos para outras localizações.

Na página do Fórum Mundial da Banana, a FAO refere que o fungo já foi fortemente detetado no sudeste da Ásia e Paquistão, havendo nota de novos focos na Austrália, Jordânia, no Médio Oriente, e em Moçambique.

A FAO admite que "não existe um tratamento eficaz e efetivo do solo ou das plantas para controlar ou curar o fusarium nas plantações", sendo que, apesar de prosseguirem os estudos científicos, "a biologia e a genética do fungo ainda não foram totalmente compreendidas".

A única medida preventiva atualmente disponível é a quarentena: prevenir a transferência de solo infectado ou material vegetal de áreas infetadas para áreas sem TR4", refere a página na internet do Fórum Mundial da Banana.