A relação entre o tempo de frio e chuva e as dores nas articulações é um mito que persiste desde a Antiguidade, mas não há qualquer relação, garante um estudo feito nos Estados Unidos e publicado esta quarta-feira 

A análise foi feita pela Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard (Massachusetts, Estados Unidos) e publicada na BMJ, uma publicação científica sobre medicina. No trabalho, o tempo de inverno é ilibado das culpas do aumento das dores nos ossos, nas articulações ou nas costas.

Os autores admitem que a ideia de que há uma relação entre certos sintomas e clima existe desde a Antiguidade, lembram que Hipócrates, o grego considerado o “pai da medicina”, já escrevia como o clima afetava a saúde, mas afiançam que “não há qualquer relação”.

A análise agora publicada, liderada por Anupam Jena, do departamento de Política de Cuidados de Saúde da Faculdade, usou como técnica juntar uma grande quantidade de dados, comparando reivindicações de seguros de milhões de consultas médicas com totais diários de precipitação de milhares de estações meteorológicas da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

Comparámos os dados de todas as formas e não encontrámos qualquer relação entre a chuva e as consultas médicas por causa de dores nas articulações ou nas costas”, disse Jena, professora e interna do Hospital de Massachusetts. E arrasou ainda mais o mito: “As dores nas articulações e nas costas podem muito bem ser previsões meteorológicas não confiáveis”.

Os investigadores analisaram 11 milhões de consultas médicas de americanos mais idosos, entre 2008 e 2012, e questionaram os doentes com perguntas sobre se sentiam dores nas articulações ou se sentiram mais dores (nos casos de pessoas com artrite reumatoide).

A resposta a todas essas questões não mostrou qualquer vínculo significativo entre a dor nas articulações e o clima chuvoso.

No geral, 6,35% das idas ao médico incluíam relatos de dor em dias de chuva, em comparação com os 6,39% de relatos de dor em dias secos.

Nessa inundação de dados, se houvesse um aumento de dor clinicamente significativo, esperávamos encontrar ao menos um pequeno mas significante sinal desse aumento. Não encontrámos”, disse Anupam Jena.

A especialista lembrou que o cérebro humano é bom a encontrar padrões e explicou que se uma pessoa espera ter dores nos joelhos quando chove e, se tal não acontece, ela tende a esquecer, mas se tiver mesmo dores vai culpar o tempo de chuva e isso vai ficar na memória.