Um estudo levado a cabo por cientistas alemães concluiu que existe uma ligação entre a apreciação de filmes considerados maus, de gosto duvidoso (trash films, na designação em Inglês), e um elevado nível de inteligência do espectador.

"É tão mau que é bom" é uma avaliação regularmente feita por aqueles que, ainda que não estejam a adorar o filme ou o programa de televisão que estão a ver, continuam a fazê-lo. Esta situação é bastante menos frequente quando se trata de um livro que o leitor considera mau, por exemplo.

De acordo com o jornal britânico The Independent, aquele efeito contraditório despertou o interesse de uma equipa de cientistas do centro de pesquisa alemão Max Planck Institute for Empirical Aesthetics, que se serve de métodos científicos para explicar percepções e julgamentos baseados em questões psicológicas e sócio-culturais.

À primeira vista, parece paradoxal que alguém, deliberadamente, veja um filme que considera mal feito, embaraçoso e, por vezes, até perturbador, e consiga tirar prazer disso", escreveu Keyvan Sarkhosh, pós-doutorado no Instituto Max Planck de Estéticas Empíricas e um dos investigadores que desenvolveu o estudo.

Assim sendo, ao longo do estudo intitulado "Enjoying trash films: Underlying features, viewing stances, and experiential response dimensions", a equipa de cientistas tentou entender, em primeiro lugar, o que é que, exatamente, torna um filme mau, focando-se nas principais características apontadas pelos críticos como más.

Desta tentativa, os investigadores concluíram que filmes de terror de baixo orçamento foram os exemplos mais comuns a ser apontados como "trash" (maus), provavelmente por serem tão abundantes na indústria.

A principal dedução encontrada pelos cientistas alemães foi que a maioria dos espectadores que é incapaz de descolar o olhar do ecrã, mesmo quando considera o filme ou o programa de TV de má qualidade, fá-lo de forma irónica. Isto é, fá-lo para poder estabelecer um diálogo de crítica, mesmo que seja apenas consigo própria, do valor da produção, da qualidade do enredo, entre outros.

Para estes espectadores, os filmes maus tornam-se interessantes", explicou Sarkhosh no estudo que desenvolveu. "Estamos a lidar com espectadores com educação acima da média, que podem ser descritos como 'omnívoros culturais'. Tal audiência interessa-se por um espectro mais amplo de arte e media que vai além dos limites tradicionais da cultura popular", completou.