Os cientistas acreditam que os pesadelos recorrentes podem fornecer pistas vitais sobre a saúde de um indivíduo e até mesmo serem sinais, que avisam para uma doença iminente, às vezes anos antes de os sintomas aparecerem.

Um estudo da Universidade Swansea, publicado em 2011 no jornal «Sleep» e citado pelo «Daily Mail», revela que muitos problemas médicos podem causar perturbações no sono. Pesadelos regulares podem, por exemplo, ser um sinal de apneia do sono.

A apneia, distúrbio que causa interrupções no sono e reduções perigosas dos níveis de oxigénio, pode dificultar o controlo da glicose sanguínea em pessoas com diabetes tipo 2 ao prejudicar o estágio de sono mais profundo. O estudo sugere que os pacientes com sintomas mais severos foram os que disseram ter mais pesadelos «emocionalmente negativos e desagradáveis».

Mas pesadelos regulares também podem estar ligados a problemas cardíacos. De acordo com um estudo com mais de seis mil adultos, publicado em 2003 no Jornal de Medicina da Holanda e citado pelo «Daily Mail», as pessoas que têm pesadelos regulares são três vezes mais propensas a sofrer de batimento cardíaco irregular. «A explicação é que as pessoas com doenças cardíacas, em especial insuficiência cardíaca, sofrem problemas respiratórios durante a noite», refere Nicholas Oscroft, pesquisador do sono e cardiologista no Hospital Papworth, em Cambridge.

Qualquer tipo de infeção, desde uma gripe a uma infeção nos rins, pode tornar mais prováveis os pesadelos. «Quando há uma infeção, com ou sem febre, o corpo precisa de sono mais profundo para que o sistema imunológico possa combater o vírus. Mas acaba por atrasar o sono REM (fase na qual ocorre o movimento rápido dos olhos). Como o sono REM é quando se processam as emoções, isso pode causar um acumular de emoções desagradáveis, que podem manifestar-se como pesadelos», diz ainda Nicholas Oscroft.

Pesadelos violentos frequentes podem ser um indicador precoce da doença de Parkinson, às vezes dez anos antes do aparecimento dos sintomas, afirma Robert Brenner, neurologista consultor do Spire Bushey Hospital, em Watford. E o teor dos sonhos de alguns pacientes é quase sempre o mesmo. «Eles estão a ser perseguidos ou atacados e, muitas vezes, agem fora do pesadelo, reagindo com socos e pontapés», acrescenta Brenner.

Também a enxaqueca é muitas vezes precedida por sonhos desagradáveis, que envolvem temas de raiva, agressão e infortúnio, refere um estudo de 1996 em Psicoterapia e Psicossomática, citado pelo «Daily Mail».

Muitas mulheres relatam ter sonhos mais bizarros à medida que se aproxima a menopausa, explica Tony Boret, ginecologista consultor no Spire Bushey Hospital. Até dez anos anteriores à menopausa, os níveis da hormona feminina estrogénio caem de forma significativa. «Isso afeta os níveis de serotonina, uma substância química do cérebro associada com as ondas de calor, alterações de humor e suores noturnos, e pode levar a distúrbios do sono em cerca de 15 por cento das mulheres», acrescenta o médico.

Crianças com pesadelos mais propensas a psicoses

Um estudo, feito por investigadores britânicos, publicado em março no jornal «Sleep» e também citado pelo «Daily Mail», revelou que as crianças que têm pesadelos regularmente podem vir a manifestar vários problemas psiquiátricos. Ter «terrores noturnos», gritar e esbracejar durante o sono, também pode ser um sinal do aparecimento de alterações psiquiátricas no futuro.

O estudo foi feito com base na observação de 6800 crianças, com idades até aos 12 anos, que foram sujeitas a experiências psiquiátricas, nas quais eram avaliados problemas relacionados com alucinações e o controlo dos pensamentos.

Existem várias razões por detrás do aparecimento dos «problemas noturnos». Por exemplo, as crianças que são vítimas de bullying podem começar por ter pesadelos e, mais tarde, evidenciar problemas ligados a questões psiquiátricas.