Investigadores anunciaram na quinta-feira ter decifrado o código genético da mosca tsé-tsé, uma esperança para a luta contra a doença do sono e contra um dos mais devastadores parasitas dos animais da África subsaariana.

«Descodificar o ADN da mosca tsé-tsé é um grande avanço científico», disse Kostas Bourtzis, membro de uma divisão conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura e da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

Foram necessários mais de dez anos de pesquisas para se chegar à descoberta que «abre a porta a um controlo mais eficaz» da tripanossomíase (doença parasitária), o que constitui uma boa nova para os milhões de agricultores e criadores de gado da África subsaariana, disse.

Apenas existente no continente africano, a mosca tsé-tsé é um portador de tripanossomíase que pode afetar seres humanos e bovinos. Nos seres humanos provoca a doença do sono, que pode ser fatal se não for tratada. No gado bovino provoca uma doença, também muitas vezes fatal, que afeta três milhões de animais por ano.

Até agora não foi descoberta uma vacina, nem para animais nem para humanos, já que o parasita consegue contornar o sistema imunitário dos mamíferos, de acordo com os cientistas. A forma de controlar a população de moscas baseia-se apenas nos pesticidas e na disseminação de machos esterilizados.

«A deteção e o tratamento da tripanossomíase é atualmente cara, difícil e perigosa para os animais, já que muitas vezes envolve drogas tóxicas», disse Kostas Bourtzis num comunicado.

A sequenciação do genoma permitirá aos investigadores, acrescentou, estudar melhor os genes e as suas funções, um conhecimento que «vai acelerar a investigação sobre os métodos de controlo da mosca tsé-tsé e ajudar os cientistas a desenvolver novas estratégias para reduzir a utilização de medicamentos e pesticidas caros».

A divisão FAO/AIEA sobre técnicas nucleares na Agricultura e Alimentação apoia atualmente 14 países africanos a controlar as populações de mosca tsé-tsé. O inseto já foi erradicado de Zanzibar (Tanzânia) e também foram feitos progressos na Etiópia e no Senegal.