O ator Michael Douglas já tinha levantado essa hipótese, numa entrevista, admitindo que o cancro de que padecia tinha sido provocado pelo sexo oral. Um estudo desenvolvido pelo Colégio de Medicina Albert Einstein e pela Sociedade Americana de Prevenção do Cancro, vem provar a relação entre os dois fatores.

Assim, quem apresentou um certo tipo de vírus, o HPV-16, nas suas análises à boca, revelava uma exposição ao cancro da cabeça e do pescoço 22 vezes superior. A média de idade dos portadores do HPV-16 era de 66,5 anos.

Este estudo foi levado a cabo durante quatro anos e cruzou os dados de 96.650 pessoas. Nenhuma delas sofria de cancro. Em 132 destes voluntários foi detetado o HPV-16 (103 homens e 29 mulheres) nas amostras feitas à boca, de acordo com os dados divulgados pela Jama Oncology, que publicou o estudo.

Cada uma destas análises positivas foi ainda cruzada com a análise de outras três pessoas sem HPV-16.

As conclusões preliminares da investigação científica apontam, então, que a exposição ao cancro da cabeça e do pescoço é 22 vezes superior nos casos de pessoas com HPV-16.

“Este estudo é único porque mostra, pela primeira vez, que o HPV-16 detetado na boca pode ser um prenúncio do desenvolvimento do cancro da cabeça e do pescoço”, como disse à Newsweek um dos professores assistentes responsável pelo estudo, Ilir Agalliu.

O vírus do papiloma humano transmite-se por via sexual, incluindo a transmissão através de sexo oral.

Prevenção e vacina

O combate a este cancro pode começar na prevenção. A boa notícia é que o HPV-16 na boca é facilmente detetado através de uma pequena análise no consultório do dentista.

Os resultados agora alcançados, criam um desafio à indústria farmacêutica, de modo a produzir uma vacina que combata todos os tipos de HPV”, acrescenta Ilir Agalliu.