Investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) descobriram que a progressão da doença Machado-Joseph pode ser travada por uma redução de calorias controlada ou através de resveratrol, anunciou a Universidade de Coimbra.

A substância química resveratrol “está pronta a ser testada em ensaios clínicos”, adianta a Universidade de Coimbra (UC) numa nota enviada à agência Lusa, nesta quarta-feira.

Os resultados da investigação, publicados na revista científica Nature Communications, sugerem que “os efeitos positivos verificados em ratinhos, que mimetizam a doença Machado-Joseph, não se revelam apenas ao nível dos sintomas”.

[Também se observa] um bloqueio efetivo do desenvolvimento da doença”, sublinha a UC.

“O estudo sugere que uma ligeira redução de calorias” ou a administração de resveratrol “contribuem para a melhoria da coordenação motora, marcha, equilíbrio, neuropatologia e ativam o processo de reciclagem dos elementos envelhecidos e danificados das células (autofagia)”, explicita Cláudia Cavadas, coordenadora de uma das duas equipas do CNC da UC, envolvidas na investigação.

A ligeira redução de calorias tem de ser “extremamente controlada, sem incorrer no risco de malnutrição e com a presença de todos os nutrientes essenciais ao organismo”, salienta a investigadora.

Luís Pereira de Almeida, coordenador da equipa parceira na investigação, salienta que “os efeitos benéficos obtidos são explicados através de um “regulador de informação” presente nas células, chamado ‘sirtuina 1’, uma enzima cujos níveis aumentam no cérebro "através da redução calórica ou administração de resveratrol”.

Estamos neste momento a desenvolver todos os esforços para testar os resultados do resveratrol em contexto de ensaios clínicos, algo que depende somente de financiamento”, acrescenta Luís Pereira de Almeida, citado pela UC.

Com “grande prevalência nos Açores”, a doença Machado-Joseph é “incurável, fatal e hereditária” e é caracterizada pela “descoordenação motora, atrofia muscular, rigidez dos membros, dificuldades na deglutição, fala e visão, associadas a um progressivo dano de zonas cerebrais específicas”.

A investigação foi financiada por fundos europeus, através do Compete (Programa Operacional Fatores de Competitividade), via Fundação para a Ciência e a Tecnologia, pelos programas europeus E-Rare (cooperação transnacional entre organizações de financiamento de investigação em doenças raras) e JPND (fundo europeu de projetos de investigação sobre a doença neurodegenerativa), pela AFM (associação internacional de doentes neuromusculares) e pelo fundo privado Richard Chin and Lily Lock Machado-Joseph Research Fund.