O cometa Tchouri, onde se encontra a sonda espacial Rosetta, vai atingir o ponto de órbita mais próximo do sol, na próxima quinta-feira. No dia 13 de agosto, os cientistas esperam conseguir recolher partículas orgânicas deixadas pela formação do sistema solar, que se encontram conservadas na superfície gelada do cometa há mais de 4,6 mil milhões de anos. O material recolhido pode ajudar a decifrar alguns enigmas sobre a formação de vida no nosso planeta.

A sonda iniciou a sua missão há 20 anos, mas "este é o momento em que haverá mais ação", garantiu Mark McCaughrean, assessor científico da Agência Espacial Europeia (ESA). O cometa vai estar a 185 milhões de quilómetros do sol e o material recolhido pode ajudar a desvendar algumas pistas sobre a formação do sistema solar e a emergência de vida na Terra, encapsuladas sob a sua superfície gélida.

Como os restantes corpos celestes deste género, Tchouri é constituído por um núcleo de gelo, materiais orgânicos e pedras, estando cercado de poeira e gás. Ao aproximar-se do sol, as camadas de gelo interiores vão transformar-se em vapor, provocando tempestades de gás e poeira e projetando partículas. Ao passar por esta transformação, as matérias podem ser recolhidas e captadas pela sonda.

"Este é realmente o Santo Graal para ver o interior do cometa. Queremos olhar para o material mais puro que poderá ser expelido”, disse o cientista, afirmando que esta é “a maior oportunidade para recolher material a fim de analisar, quando se procura espécies raras de moléculas”.


Os cientistas vão poder comparar também fotos, tiradas por Rosetta, do antes e do depois da aproximação e analisar algumas amostras dos gases, para obter mais informação sobre o núcleo e o ciclo do cometa, podendo armazenar mais conhecimento sobre estes corpos celestes.