A reprodução é um processo tão stressante para alguns marsupiais, que leva à sua morte, revela um estudo australiano publicado hoje.

Os cientistas interrogavam-se há décadas sobre as razões da morte súbita de pequenos marsupiais insetívoros, na altura da sua reprodução, pensando que se esgotavam em combates ferozes com os rivais.

Segundo um novo estudo, publicado na revista norte-americana National Academy of Sciences, as mortes devem-se aos esforços extremos realizados pelos animais, para assegurarem a qualidade do seu esperma durante o curto período de fecundidade das fêmeas, que acontece uma vez por ano.

«A reprodução tem sempre um custo, é uma atividade que exige muita energia», em regra geral, no mundo animal, explicou a investigadora Diana Fisher, da Universidade de Queensland.

No caso particular do rato-marsupial-australiano (antechinus) e do fascogale (phascogale), os machos «não aprenderam a distribuir o seu esforço no tempo, fazem-no subitamente num período de tempo muito curto, e morrem logo a seguir», adiantou.

«Eles reproduzem-se durante 12 a 14 horas sem interrupção com um grande número de fêmeas, esgotam os músculos e tecidos e gastam toda a sua energia para serem reprodutores competitivos (...) É a seleção sexual», disse Diana Fisher à agência France Presse.

O fenómeno é comum em plantas e em alguns peixes, mas muito raro em mamíferos.