As redes sociais são usadas por milhões de pessoas em todo o mundo, que as consideram vantajosas, mas são também veículos para fomentar ataques como o de Istambul, alertam instituições e particulares, alguns a levá-las mesmo à justiça. Hoje, provavelmente, as redes sociais vão de novo ser acusadas na sequência dos ataques da noite passada no aeroporto de Istambul, na Turquia.

O Google (Youtube), o Facebook e o Twitter são três das redes sociais que estão agora acusadas em tribunal de permitirem aos grupos jihadistas difundirem a sua ideologia e recrutar membros. A queixa foi apresentada (há menos de duas semanas) pelo pai de uma estudante californiana, morta nos atentados de Paris, em novembro do ano passado.

Na terça-feira, imprensa especializada divulgou notícias de que o Youtube e o Facebook já estariam a bloquear, de forma automática, vídeos com conteúdos extremistas, algo que vários governos têm pedido com insistência (as redes sociais têm contraposto a liberdade de expressão).

Quando se comemora, na quinta-feira, o Dia Mundial das Redes Sociais, o tempo é também de alertas para os malefícios que lhes podem estar ligados. O próprio diretor da CIA (Agência Central de Inteligência, dos Estados Unidos), John Brennan, já admitiu que as redes sociais tornam mais difícil o combate ao terrorismo.

As novas tecnologias podem também, nas palavras do responsável, ajudar os grupos terroristas a coordenar ações, ajudar na divulgação da propaganda e inspirar apoiantes um pouco por todo o mundo.

Nessa convicção, há menos de duas semanas, o norte-americano Reynaldo Gonzalez apresentou no Tribunal Federal da Califórnia do Norte uma queixa contra três das principais redes sociais (Youtube, Twitter e Facebook), depois de a sua filha, Nohemi Gonzalez, ter morrido nos atentados de Paris do ano passado.

Na queixa afirma-se que as redes sociais têm apoiado, até de forma consciente, a ascensão do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico, permitindo-lhe perpetrar vários ataques, incluindo o de 13 de novembro, na capital francesa.

E acrescenta-se na queixa que, no fim do ano de 2014, o autodesignado Estado Islâmico (EA) tinha 70.000 contas no Twitter, das quais pelo menos “79 oficiais”, e que colocava “pelo menos 90 ‘tweets’ por minuto”.

“O EA utiliza o Google (Youtube) e o Facebook da mesma maneira”, lê-se na queixa, na qual se pede às redes sociais em causa uma indemnização. A primeira audição está marcada para 21 de setembro, no Tribunal Federal de Oakland.

Na verdade, a utilização pelo EA das novas tecnologias e das redes sociais é conhecida. O grupo extremista faz propaganda em várias línguas, incluindo em português, e, no último número da sua publicação Dabiq (em inglês), com 68 páginas, faz ameaças de morte, “sem piedade ou remorso”, aos “não crentes”, lembra os últimos atentados, diz que “Paris foi um aviso, Bruxelas foi um lembrete”, e acrescenta: o que está para vir é pior e “mais devastador”.

Conhecidas são também as precauções que se devem ter com as redes sociais, ciclicamente lembradas na imprensa, como o isolamento social ou a exposição excessiva, o ‘cyberbullying’, o roubo, a usurpação de identidade ou a pedofilia.

E ainda que sejam eliminados sistematicamente milhões de conteúdos. Nas redes sociais há estudos que indicam que só o EI coloca mais de 100 mensagens no Twitter em cada minuto e que através das novas tecnologias conseguiu para a sua causa dezenas de milhar de potenciais terroristas.

Hoje há países onde por exemplo o Facebook é proibido, ou outros (como Israel, na semana passada) que anunciam a criação de leis para restringir o seu uso.