A mais divulgada e utilizada rede social a nível mundial anunciou esta quarta-feira estar a trabalhar para criar um atalho, mais visível e acessível, para que os utilizadores possam controlar os dados que partilham e gerir assim melhor a sua privacidade. Haverá também a possibilidade, segundo revela a agência noticiosa Reuters, de se rever e apagar publicações (posts) e pesquisas efetuadas.

O anúncio da criação de um atalho para acesso às configurações que limitam os dados partilhados surge na sequência do escândalo do alegado furto de informação sobre 50 milhões de utilizadores norte-americanos da rede social, que terá sido usada para influenciar as presidenciais de 2016, que elegeram Donald Trump.

Face ao suspeito envolvimento de piratas informáticos russos e do uso de dados pela empresa de consultadoria britânica Cambridge Analytica, as perdas do Facebook na bolsa norte-americana e a exigência de explicações por parte dos parlamentos norte-americano e britânico têm levado a empresa de Mark Zuckerberg a prometer mais mecanismos de segurança, de forma a evitar a partilha de dados.

Ouvimos em alto e em bom som que as configurações de privacidade e outras ferramentas importantes são muito difíceis de encontrar e que precisamos fazer mais para manter as pessoas informadas”, refere um comunicado assinado por Erin Egan, a nova diretora de privacidade do Facebook, e Ashlie Beringer, a sua adjunta.

De acordo com a agência Reuters, já nas próximas semanas, o Facebook irá apresentar atualizações dos termos de serviço e da sua política de dados, de forma a esclarecer melhor quais as informações dos utilizadores que são recolhidas e como são usadas.

Além de redesenhar o seu menu de configurações nas aplicações móveis, o Facebook irá também criar um atalho de privacidade, onde os utilizadores poderão rever e excluir os dados que compartilharam.

Os utilizadores poderão também baixar os dados partilhados no Facebook, incluindo fotos carregadas, contatos adicionados à sua conta e publicações.

Processo na Califórnia

Antes do anúncio das modificações na rede social, três utilizadores do Facebook Messenger avançaram com uma queixa num tribunal da cidade californiana de San Francisco, por violação da sua privacidade.

Os queixosos acusam a aplicação móvel do Facebook de gravar registos dos seus telefonemas e mensagens, sendo que o processo judicial é assumido como uma ação coletiva que pretende abarcar todos os utilizadores afetados.

Ninguém da empresa reagiu ainda à queixa apresentada. No passado domingo, ao Facebook confessou ter recolhido dados de utilizadores da sua aplicação movel para sistemas operativos Android, mas apenas quando os mesmos aceitaram essa opção.

A empresa acrescentou, contudo, não gravar chamadas e mensagens e que a informação recolhida é armazenada de forma segura, não sendo vendida a terceiros.