Uma plataforma desenvolvida por diversos investigadores procura medir a frequência com que são referidos nos media sociais os políticos portugueses, medindo também se o sentimento dos utilizadores é positivo ou negativo.

A ferramenta, intitulada «Popstar», sigla de «Public Opinion and Sentiment Tracking, Analysis, and Research» (traduzível por opinião pública e análise e pesquisa de sentimento), está online desde outubro mas congrega dados «a partir de meados de 2011», incorporando um conjunto de mais de 100 mil utilizadores virtuais portugueses, revelou à agência Lusa Pedro Magalhães, politólogo, doutorado em ciência política, e um dos coordenadores do projeto.

Desenvolvido desde 2012 e financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o Popstar tem por objetivo medir de «forma automatizada a frequência com que os agentes políticos são referidos nos media sociais», sendo este um elemento que poderá ser trabalhado com outros «indicadores mais convencionais», como as sondagens, diz Pedro Magalhães, também investigador no Instituto de Ciências Sociais (ICS) e especialista na matéria.

«Sem grande surpresa», admite, o líder partidário mais vezes referido no Twitter e nos blogues é Pedro Passos Coelho, líder do PSD e primeiro-ministro, cargo que acarreta uma «agenda política mais intensa».

Contudo, o maior pico de referências até ao momento teve que ver com o vice-primeiro-ministro Paulo Portas, também líder do CDS-PP, aquando da demissão de ministro dos Negócios Estrangeiros no verão passado e da respetiva crise política daí surgida.

«Ser muito mencionado não significa ser popular, muitas vezes é o contrário», adverte Pedro Magalhães, lembrando que os líderes de PCP e Bloco de Esquerda, Jerónimo de Sousa e a dupla Catarina Martins - João Semedo são os chefes de partido «menos impopulares de todos», embora também os menos referidos nos media sociais.

No futuro, avança Pedro Magalhães, o «Popstar» irá também agregar referências económicas, procurando recolher o sentimento dos cibernautas sobre a matéria e confrontá-lo com indicadores económicos como o índice de confiança dos consumidores.

O projeto junta ivestigadores do ICS, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores-ID Lisboa (INESC-ID), da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e do Núcleo de Investigação em Políticas Económicas da Universidade do Minho (NIPE-UM).