Um software experimental, cujos criadores afirmam ser capaz de identificar homossexuais e heterossexuais pela forma do rosto, está a gerar polémica, após ser fortemente criticado por grupos defensores dos direitos da comunidade LGBT.

Segundo a BBC, a Universidade Stanford, nos Estados Unidos, diz que o software reconhece características faciais relacionadas com a orientação sexual que, para os humanos, são impercetíveis.

Para a investigação, os cientistas criaram um algoritmo, usando fotos de mais de 14 mil americanos brancos, tiradas de um site de relacionamentos. Recolheram uma a cinco fotos de cada indivíduo e tiveram em conta a orientação sexual declarada por cada um no site.

De acordo com os investigadores, perante duas fotografias, uma de um homem homossexual e outra de um heterossexual, o algoritmo acertou em 81% das vezes. Já no caso de fotografias de mulheres, acertou em 71%.

Os rostos de homossexuais tendem a ter menos marcas de género. Os homens gay têm os maxilares mais estreitos e os narizes maiores, enquanto as lésbicas têm maxilares mais largos.”

Contudo, o software também falhou em alguns casos, como, por exemplo, num teste feito com fotografias de 70 homens homossexuais e de 930 homens heterossexuais.

Quando foi pedido ao software que apontasse 100 homens com “maior probabilidade de ser gay”, o aplicativo errou em 23 dos indivíduos.

A revista britânica The Economist apontou várias "limitações" ao software, como o facto de a investigação se basear em fotos de americanos brancos e tiradas de sites de relacionamentos, que "provavelmente seriam particularmente reveladoras da orientação sexual".

Segundo a BBC, no dia 8 de setembro, dois grupos defensores dos direitos da comunidade LGBT, sediados nos Estados Unidos, emitiram um comunicado, em conjunto, com fortes críticas ao estudo.

Esta pesquisa não é ciência ou novidade, mas é sim uma descrição dos padrões de beleza nos sites de relacionamento, que ignoram grandes segmentos da comunidade LGBT [lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros], incluindo pessoas de cor, pessoas transgéneros, indíviduos mais velhos e outras pessoas LGBT, que não querem publicar fotos em sites de namoro”, afirmou Jim Halloran, diretor da Glaad, uma organização que monitoriza os meios de comunicação em assuntos relacionados com a comunidade LGBT.