Associar um suspeito a uma cena de crime através de partículas de terra é um dos processos de investigação em que estudantes de Geografia Forense do Porto vão cooperar, em outubro, com o Laboratório de Polícia Científica da Judiciária.

Em entrevista telefónica à Lusa, o diretor do Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária (LPC-PJ), Carlos Farinha, confirmou que “já foram realizadas perícias de solos” e que o LPC vai começar a receber estagiários da Universidade do Porto no âmbito do protocolo de cooperação que aquele laboratório da Polícia Judiciária assinou recentemente com as Faculdades de Ciências e de Farmácia daquela instituição de ensino superior.

Para ajudar na investigação policial a partir de uma espécie de “impressões digitais” dos solos vão avançar para estágio no próximo mês de outubro no LPC da Polícia Judiciária “três alunos do Mestrado em Geologia Forense da universidade do Porto” para estudar as características dos solos de “quatro áreas da zona urbana de Lisboa com elevada criminalidade”, avançou hoje à Lusa Alexandra Guedes, professora auxiliar da FCUP no Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da FCUP.

Uma vez que as partículas do solo transferem-se de roupas, sapatos, veículos e ferramentas e aderem facilmente, podem consequentemente fornecer indícios a respeito da origem geográfica e da vegetação circunvizinha, associando o suspeito a uma cena de crime”, explica Alexandra Guedes.

O solo é um material “complexo”, constituído por uma “assinatura mineral, orgânica e molecular únicas pelo que a probabilidade de uma determinada amostra de solo apresentar características físico, químicas e mineralógicas semelhantes a outras provenientes de outros locais é muito pequena”.

Os estudantes de Mestrado da Geografia Forense vão também ajudar a organizar no LPC-PJ uma base de dados de sedimentos costeiros portugueses, à semelhança da existente na FCUP, e vão também “testar técnicas existentes no LPC-PJ em amostras de solos já estudadas na FCUP”, acrescentou Alexandra Guedes.

O protocolo FCUP/Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária está a decorrer muitíssimo bem”, admitiu Alexandra Guedes.

O diretor do LPC-PJ, Carlos Farinha, confirmou que já foram realizadas perícias de solos em articulação com estudantes da UP e referiu que a ideia da cooperação com é aprender o ‘know how’ para depois ser a própria Judiciária a fazer esse trabalho.

Em maio deste ano o LPC-PJ assinou um protocolo com a Faculdade de Ciências e a de Farmácia da Universidade do Porto no domínio da análise das novas substâncias psicoativas.

Um dos objetivos desse protocolo era unir esforços e sinergias no conhecimento e no controlo de novas substâncias psicoativas entre o LPC e duas faculdades, devido ao aparecimento de novas substâncias psicoativas e que vieram colocar um novo “desafio pericial”, explicou à Lusa, na altura, o diretor do LPC, Carlos Farinha.

Promover respostas periciais em tempo útil - a média cifra-se em 90 dias - foi um dos desafios que o LPC-PJ propôs à FCUP no dia da assinatura do protocolo de cooperação.

O prazo de 90 dias é o "tempo útil" para dar respostas periciais que possam sair a tempo para a investigação policial e, desta forma, dar apoio ao sistema judicial e fazer serviço público, disse à Lusa, na altura, Carlos Farinha.