O número de visualizações dos vídeos da maior rede social do mundo, o Facebook, foram novamente analisados e, desta vez, a nova métrica utilizada pela empresa Nielson NetRaking revelou que, afinal, em relação ao valores inicialmente avançados, o número desceu cerca de 94%.

Nielson NetRating é uma empresa que oferece um leque vasto de informações relativas a várias plataformas online, realizando análises e fornecendo dados relativos à popularidade de determinado site ou, neste caso, de uma rede social. Mas as últimas contas, relativas ao fluxo de visualizações de vídeos no Facebook, não correram como planeado.

A Nielson, depois de alguns dedos apontados, sentiu a necessidade de retificar e examinar a métrica utilizada, para medir os tais fluxos. O Facebook admitiu a utilização de uma medida que, afinal, só contabilizava as visualizações de apenas três segundos, o que inflacionou os dados.

A nova conclusão foi surpreendente e o número de vizualizações caiu 94% ao longo de um único mês. O que parece acompanhar as várias declarações polémicas que têm sido associadas ao Facebook.

Segundo avançou o jornal australiano Mumbrella, a ideia que ficou de que o Facebook tinha ultrapassado a plataforma Youtube está, afinal, bem longe da verdade. A rede social totalmente baseada na web, não parece ter tido tanto sucesso quando apostou no perfil de uma plataforma de vídeo.  

A nossa equipa de engenharia criou uma solução que contaria os fluxos (“streams”) progressivos como apenas um fluxo por visualização. A solução foi lançada a 1 de outubro de 2016 ", afirmou o porta-voz da Nielsen.

A Nielsen mediu os fluxos do Facebook nos meses de julho, agosto e setembro do ano passado, assim como os números depois dos escândalos em redor da rede social. Estamos a falar de uma queda progressiva de agosto de 2016 para setembro do mesmo ano e, em relação a outubro de 2016, a queda é a pique: 94%.  

A relação direta com as várias polémicas do Facebook, nestes meses, ganha ainda mais sentido se compararmos com a evolução quase linear da plataforma Youtube, face ao desnível repentino da rede social.

As agências de marketing reagiram de imediato à notícia e os gastos investidos diretamente nos vídeos do Facebook, pelas mais diversas empresas, principalmente por motivos publicitários, caíram 32,4% nos últimos três meses do ano passado, em comparação com o mesmo período em 2015, segundo dados apresentados pela Media Index. Em paralelo, os gastos no YouTube cresceram 11,9%.

O Facebook resolveu não reagir aos novos números e acrescentou que qualquer questão deve ser dirigida diretamente à empresa Nielsen.

Em novembro, a Australian Association of National Advertisers chegou a aconselhar o Facebook a criar as próprias medidas ou a enfrentar a ação dos profissionais de marketing. Já que estes mais atentos são, claramente, os mais lesados.

Aliás, na conferência de Mumbrella360, um orador de marketing, Mark Ritson, afirmou veemente que os números anteriormente apresentados pelo Facebook eram um “tsunami de disparates”.