Os diamantes encontrados num meteorito que explodiu no Deserto da Núbia, no Sudão, em 2008, formaram-se no interior de um planeta desaparecido há 4,5 milhões de anos e que orbitou o sol no início do Sistema Solar.

A descoberta foi feita por cientistas do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça, que utilizaram técnicas modernas de microscopia eletrónica. Num estudo publicado terça-feira na revista Nature Communications, os astrónomos revelam que as análises microscópicas aos pequenos diamantes no interior do meteorito demonstram que foram formados num ambiente com muita pressão, sendo provável que tenham origem em camadas profundas do planeta.

O misterioso planeta onde os diamantes se formaram terá uma dimensão compreendida entre as dimensões de Mercúrio e Marte. Uma das hipóteses levantadas por vários astrónomos aponta para que vários planetas se tenham formado nos primeiros dez milhões de anos do Sistema Solar. Os fragmentos do meteorito que continha diamantes seriam assim oriundos de um protoplaneta, ou seja, um exemplar dos primeiros planetas do Sistema Solar.

A grande maioria desses planetas terá colidido entre si de forma violenta, criando condições para a formação dos planetas que conhecemos atualmente e que orbitam o sol.

O meteorito, denominado Almahata Sitta, foi identificado pela primeira vez, já perto da Terra, pouco antes de explodir no deserto, em 2008. A Universidade de Cartum, capital do Sudão, conseguiu recolher 480 partículas do meteorito num total de quatro quilos.

O material recolhido dá aos cientistas a possibilidade de estudarem as condições cósmicas existentes no início do Sistema Solar. 

A descoberta comprova as teorias sobre a formação do nosso Sistema Solar", afirma Farhang Nabiei, investigador do Instituto Federal de Tecnologia, de Lausanne, na Suíça, em declarações ao jornal norte-americano The Washington Post.

 

Essas amostras vêm de uma era à qual não temos mais qualquer acesso e nós somos parte desses planetas”, diz ainda o principal autor do estudo. "Várias simulações demonstram que no início do sistema solar havia vários planetas que colidiram até se formarem os terrestres. Nunca pensei que fosse possível ter a prova da existência de um deles", refere o cientista sobre o meteorito, que é a única prova existente daqueles planetas desaparecidos.

 

O meteorito Almahata Sitta entra na categoria das rochas uralite. Da composição deste tipo raro de rochas fazem parte elevados níveis de carbono, sob a forma de grafite e diamante.

"Estamos a fazer arqueologia, olhando para o passado, de forma a compreender melhor a história da formação do Sistema Solar", acrescenta Philippe Gillet, que participou no estudo.

O que dizemos no estudo é que temos nas nossas mãos os restos da primeira geração de planetas que desapareceram porque foram destruídos ou incorporados noutros maiores", explica Gillet.

Os especialistas acreditam que um desses corpos celestes embrionários, conhecido como Theia, colidiu com a jovem Terra e que os restos dessa colisão formaram a Lua, o satélite natural do nosso planeta.