Uma empresa islandesa, a deCODE, que estuda os genes presentes no DNA da população do país já fez várias descobertas que podem ajudar no tratamento ou mesma na cura de várias doenças como, por exemplo, Alzheimer, ou cancro da mama.

De acordo com a cadeia de informação CNN, a empresa acredita que variações e mutações genéticas presentes em genes específicos podem ser a chave para a cura de várias enfermidades.

A Islândia é um país remoto e isolado. Desde que a colonização feita pelos Vikings, há mais de 1200 anos, que a população permaneceu isolada do resto do mundo. Por isso, o código genético dos islandeses é muito homogéneo, sendo que 90% das pessoas são considerados islandeses "puros". Foi essa característica dos islandeses que fez o neurologista e geneticista, Kari Stefansson, voltar para ao país onde nasceu, após 20 anos fora.

Quando começamos a olhar para a genética e a pensar sobre a vida em geral, descobrimos que toda a vida na Terra está enraizada no DNA. Não há vida na Terra que não se baseie em informações que estão nesta macromolécula milagrosa, a que chamamos DNA”, disse Stefansson.

Regressado à Islândia, Stefansson fundou a deCODE, que tem como objetivo mapear o genoma de todo o país. Em 2016, a Islândia tinha uma população de 332 mil habitantes.

Achamos que podemos sequenciar o genoma inteiro para um grande número de pessoas. Por exemplo, neste edifício, temos sequenciado todo o genoma de 40 mil pessoas”, referiu Stefasson, na sede da empresa deCODE, em Reykjavik, na Islândia.

O genoma é o conjunto do DNA, ou seja, é o composto químico que contém as informações genéticas. É o código que diz ao nosso corpo como funcionar, desde os nossos órgãos às nossas células. A equipa de empresa deCODE acredita que quando o código genético é analisado em conjunto com registos médicos pode ser possível identificar mudanças ligadas a doenças.

"Proteção contra a doença de Alzheimer"

A equipa de Kari Stefasson já conseguiu identificar genes que afetam a probabilidade de se desenvolver doenças como o Alzheimer, problemas cardíacos e cancro da mama.

A maioria dos islandeses apenas descende dos colonizadores Vikings, o que permite que a deCODE consiga perceber a tendência e a evolução das doenças, através das árvores genealógicas, que são pouco complexas nesta população. Assim, é mais fácil identificar uma mutação ou variação genética.

Descobrimos uma variação de há talvez três ou quatro anos que confere proteção contra o Alzheimer. É uma variação (genética) rara encontrada em cerca de 1% da população islandesa e quem a tem está quase completamente protegido contra essa doença”, explicou Stefansson.

No entanto, as variações identificadas na população islandesa, que é uma população com um genoma homogéneo, podem não resultar em populações mais heterogéneas.

O próximo passo é, então, perceber como estas variações genéticas reagem no corpo humano, através da medicina, para poderem proteger a saúde de outros.

Novos medicamentos

A empresa deCODE uniu-se à farmacêutica Amgen, que está a começar a usar as informações obtidas pela primeira.

Alguns críticos levantaram questões sobre a privacidade e sobre o destino de toda a informação que está nos códigos genéticos, bem como sobre o facto da equipa ter acesso aos registos médicos da população. Em resposta, Stefansson referiu que todos os dados são encriptados e anónimos.

Por agora, o neurologista e geneticista Kari Stefansson espera que o código genético possa levar à criação de novos medicamentos, que salvem vidas.

Já estão a ser testados novos medicamentos para o tratamento do Alzheimer e de doenças cardiovasculares, baseados em descobertas feitas pela empresa deCODE. Também já descobriram uma mutação genética, que pode ajudar na luta contra o cancro da mama.