O FBI pagou a “piratas informáticos profissionais” para conseguir aceder ao telemóvel usado pelo autor do tiroteio ocorrido em dezembro na localidade californiana de San Bernardino, nos Estados Unidos, que fez 14 mortos, noticiou o Washington Post.

Segundo publicou o jornal esta terça-feira, citando fontes policiais não identificadas, o FBI contactou os 'hackers', que descobriram um defeito de ‘software’ e facultaram a informação aos agentes, que assim criaram ‘hardware’ que lhes permitiu aceder ao iPhone.

Os investigadores conseguiram desbloquear o código pessoal de quatro dígitos sem ativar um mecanismo de segurança utilizado pela Apple, fabricante do aparelho, que teria eliminado todo o conteúdo do telemóvel caso fossem digitados, mais de dez vezes, códigos incorretos.

Tudo começou quando a 16 de fevereiro a juíza federal Sheri Pym ordenou à Apple que ajudasse os agentes do FBI a aceder aos dados do telefone do atirador de San Bernardino. Recorde-se que o tiroteio, que fez 14 mortos e 20 feridos, está a ser investigado como terrorismo.

Mas a empresa tecnológica, presidida por Tim Cook, recusou cumprir a ordem judicial, por considerar que isso iria pôr em causa a segurança de todos os seus telemóveis.

O FBI quer fazer uma nova versão do sistema operativo do iPhone, eliminando várias barreiras de segurança, de modo a aplicar num iPhone que é prova numa investigação. O governo está a pedir à Apple para piratear os seus próprios clientes e que deite por terra os avanços feitos em matéria de segurança para proteger os clientes”, disse, na altura, Tim Cook.

Em causa está uma ferramenta de segurança de que os aparelhos da Apple foram munidos após o escândalo Edward Snowden, sobre o acesso às comunicações por parte do governo.