Não faltam por aí projetos para viabilizar os passeios espaciais e até para colonizar outros planetas, mas todos a um custo proibitivo para a maioria dos mortais. Pensando nisso, uma dupla de dinamarqueses, que realmente deseja viajar até ao espaço, decidiu construir naves em casa, com equipamentos que qualquer um pode encontrar nas lojas convencionais.

Peter Madsen e Kristian von Bengston são inventores da Copenhagen Suborbitals, uma empresa fundada há cinco anos, sem fins lucrativos, que vive de donativos e do dinheiro que von Bengston vai angariando em conferências. A empresa vive a contar os tostões para levar humanos para o espaço até 2020 num foguete construído por eles. O foguete, que um dia deverá ser lançado ao espaço, irá realizar um voo suborbital, ou seja, sem efetuar uma revolução orbital completa.

Para já, a Copenhagen Suborbitals tem uma maquete e um boneco em tamanho real que conta lançar ao largo da Costa Báltica ainda durante este Verão.

Peter Madsen e Kristian von Bengston são quem constrói tudo, com a ajuda de um pequeno exército de cerca de 20 engenheiros voluntários, que trabalham em «part time», e que utilizam materiais comuns do dia-a-dia, como secadores de cabelo para evitar que algumas válvulas congelem. Os inventores têm pensado também em formas alternativas para realizar testes sem o uso de equipamentos complexos, como a vez em que utilizaram um brinquedo de um parque de diversões para testar o limite de aceleração que uma das naves poderia suportar.

Esta dupla de «faça você mesmo e vá ao espaço» conta com alguns sucessos: em 2012 lançou o Tycho Brahe, com o mesmo nome do astrónomo dinamarquês do século XVI, que era um foguete com uma mistura de líquido e sólido e que chegou aos 2.800 metros antes de o motor se ter desligado sozinho. E em 2013 o HEAT-1X foi o primeiro foguete amador a transportar um manequim em tamanho real, desta vez cumprindo na perfeição toda a sequência do encerramento programado dos motores.

A este ritmo, uma viagem suficientemente segura para levar homens a bordo, terá implicado quase 15 anos de preparação, com a empresa a trabalhar numa base quase diária. Se for bem-sucedido, o voo fará da Dinamarca o quarto país a lançar para o espaço um foguete tripulado, atrás dos EUA, da Rússia e da China.

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