Um estudo recente sobre alterações climáticas conclui que o aquecimento dos oceanos está a diminuir a quantidade de fitoplâncton no mar, organismo microscópico responsável pela remoção de 50% do dióxido de carbono (CO2) do planeta Terra.

O estudo indica que vai haver menos fitoplâncton (alga microscópica) nos oceanos devido à menor quantidade de azoto, uma proteína que alimenta aquelas microalgas responsáveis pela remoção de CO2 da atmosfera, explicou à Lusa Ester Serrão, investigadora da Universidade do Algarve e do Centro de Ciência do Mar, entidades que colaboraram no estudo científico conhecido agora.

A descoberta, publicada esta semana na revista «Nature Climate Change», revela que a temperatura da água tem um impacto direto no fitoplâncton, responsável pela remoção no planeta Terra de metade do CO2, o principal gás responsável pelo efeito de estufa.

O fitoplâncton, que armazena o CO2 no fundo do mar e o isola da atmosfera durante séculos, vai ter o seu desenvolvimento controlado pela disponibilidade de azoto e esta limitação vai reduzir a sua capacidade de remover o dióxido de carbono da atmosfera.

«O estudo mostrou que, usando técnicas de biologia molecular, modelos e experiências, o fitoplâncton a temperaturas mais elevadas desenvolve-se com uma proporção diferente» e vai precisar «de mais azoto», um nutriente fundamental para as proteínas do fitoplâncton, acrescentou a investigadora.

O estudo europeu denominado Arctic Tipping Points (ATP), e que contou com a participação de Gareth Pearson, investigador do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, vem demonstrar que o aquecimento dos oceanos irá afetar a utilização de recursos pelo fitoplâncton e que terá consequências nos ciclos biogeoquímicos do planeta, levando a um ciclo vicioso nas alterações climáticas.

A investigação foi realizada por uma equipa multidisciplinar, que integra cientistas da Escola de Ciências Ambientais e da Escola de Ciências da Computação da University of East Anglia que focaram a sua investigação no fitoplâncton, organismos microscópicos semelhantes a plantas que dependem da fotossíntese para se reproduzir e crescer.

Segundo Thomas Mock, investigador que conduziu esta pesquisa, o fitoplâncton é vital para o controlo do clima, cria oxigénio suficiente para a nossa respiração, e forma a base da cadeia alimentar para a pesca, e por isso é «extremamente importante para a segurança alimentar».

A conclusão a que os cientistas chegaram foi possível, em parte, graças ao desenvolvimento de um modelo computacional que criou um ecossistema global que tem em conta as temperaturas globais do oceano, 1,5 milhões de sequências de DNA de plâncton, e outros dados bioquímicos.

A investigação foi financiada pelo projeto europeu ATP, do 7.º Programa quadro da União Europeia.