O projeto de investigação «Photogrowth: Ant Painting», desenvolvido em Coimbra, foi premiado na EvoMUSART, «a maior conferência europeia de música e arte evolucionárias», anunciou hoje a Universidade daquela cidade.

«Formigas pintoras», um «projeto de investigação desenvolvido no Laboratório de Visualização e Design Computacional da Universidade de Coimbra (UC)», foi distinguido com o «best paper award» na EvoMUSART, «a maior conferência europeia de música e arte evolucionárias, que decorreu em Granada, há duas semanas», afirma a instituição, numa nota divulgada esta segunda-feira.

O projeto baseia-se no princípio de que «centenas ou mesmos milhares de formigas pintoras», ao «passearem sobre uma fotografia», podem «produzir imagens artísticas únicas e de rara beleza» e gerarem aquilo que a comunidade científica denomina de «representação não fotorrealista de imagens».

Para obterem essa representação, os investigadores conceberam um sistema que tem disponíveis «colónias de várias espécies de formigas artificiais prontas a trabalhar», explica, «de uma forma simples», o coordenador do estudo, Penousal Machado.

«Cada espécie de formiga cria um estilo de imagem próprio» e, assim, «perante as preferências indicadas pelo utilizador, as espécies de formigas evoluem de forma a satisfazer o desejo artístico manifestado», adianta o investigador.

«As formigas consomem a energia da fotografia fornecida pelo utilizador, efetuando vários passeios sobre a imagem» e, «enquanto passeiam, geram pinturas da sua autoria noutras telas, de acordo com o desejo artístico indicado», refere Penousal Machado, detendo-se sobre o processo de criação artística, cujo vídeo demonstrativo está acessível em http://cdv.dei.uc.pt/2014/photogrowth-ant-painting.mov.

Na prática, o «Photogrowth: Ant Painting», iniciado em 2011, é uma nova e poderosa ferramenta de autor, permitindo que «um simples curioso ou entusiasta», sem conhecimentos técnicos, «exprima as suas preferências estéticas e artísticas através de um programa informático baseado em metáforas biológicas (inspiradas na natureza) e vida artificial», acrescenta.

O sistema permite criar «imagens únicas, personalizadas e de forma intuitiva», assegura o coordenador do estudo e docente de design e multimédia da UC.

Para artistas, designers e profissionais da imagem, esta ferramenta computacional, ainda em fase de protótipo, marca «uma nova abordagem de produção visual que abre um mundo de possibilidades de exploração criativa», salienta Tiago Martins, designer e outros dos investigadores envolvidos no projeto.

Trata-se de «uma ferramenta que permite criar imagens únicas, de elevada complexidade, e de estilos próprios», sustenta Tiago Martins.

O projeto, que já foi publicado na revista norte-americana Leonardo - «a mais prestigiada revista de arte generativa» -, reveste-se de «grande complexidade» e implicou o desenvolvimento de «novos algoritmos de inspiração biológica» e a conceção de «um interface computacional exclusivo», sublinha Penousal Machado.