Um novo tratamento genético permite «melhorias no controlo do movimento» ao doentes de Parkinson, um transtorno degenerativo que afeta mais de seis milhões de pessoas em todo o mundo, noticia esta sexta-feira a revista britânica «The Lancet».

Um grupo de investigadores franceses, liderado por Stephane Palfi, professor dos hospitais universitários Henri-Mondon de Créteil, França, administrou o novo tratamento a quinze doentes com Parkinson em estado avançado entre os 48 e os 65 anos que não respondiam aos tratamentos convencionais.

A terapia genética, denominada «ProSavin», usa um vírus inerte que leva genes corretivos diretamente à zona do cérebro que controla o movimento e foi desenhada para converter as células do sistema nervoso em fábricas de dopamina (neurotransmissor responsável por várias funções do cérebro como a memória ou o movimento).

Os doentes de Parkinson sofrem uma perda desse neurotransmissor, o que lhes causa tremores, lentidão dos movimentos e rigidez muscular, entre outros sintomas.

Depois de testar a terapêutica durante um ano nos 15 pacientes escolhidos, os cientistas comprovaram que o novo tratamento é «eficaz, seguro e bem tolerado» pelos doentes.

Durante o estudo foram avaliadas funções motoras como a fala, os tremores, a rigidez, o movimento dos dedos, a postura, a forma de andar e a lentidão, tendo sido observadas melhorias importantes depois de seis meses de tratamento.

«O ProSavin é seguro e foi bem tolerado pelos doentes em estado avançado de Parkinson. Melhorias no controlo dos movimentos foram registadas em todos eles», afirmou Palfi, ressalvando que os resultados são limitados e, apesar de promissores, devem ser «interpretados com precaução».

A doença de Parkinson é um transtorno neurológico degenerativo e progressivo que afeta as zonas do sistema nervoso central responsáveis pelo controlo dos movimentos.

Os sintomas mais comuns são tremores, rigidez muscular, lentidão e anomalias posturais.