Depois de mais de dez anos de investigação, dois jovens empresários da Califórnia garantem ter encontrado uma maneira de transformar a poluição atmosférica num plástico perfeitamente utilizável.

Certas bolinhas de plástico já tiveram outra vida como gases de estufa. Há bem pouco tempo eram só metano e dióxido de carbono. Chamam-lhes AirCarbon. Os seus inventores garantem que elas são a prova provada de que é possível sacar às chaminés das fábricas os gases que são os grandes responsáveis pelas alterações climáticas... e transformá-los num plástico que seja útil a todos. A maioria dos plásticos é um derivado do petróleo, mas Herrema garante que o seu método é francamente melhor.

«Na verdade, quando usamos um garfo ou uma garrafa de plástico nunca paramos para pensar que o que temos na mão é petróleo solidificado. Ou seja, um combustível fóssil. A maior parte das pessoas não pensa nisso, e é até difícil de imaginar. Mas o que é fixe no AirCarbon é que basicamente se trata de um material que em condições normais andaria por aí, pelo ar. É o mesmíssimo carbono que somos obrigados a respirar todos os dias. E acho que toda a gente prefere um garfo feito do carbono que de outra forma estaríamos a meter nos pulmões, do que um feito de petróleo», afirma Mark Herrema, cofundador e diretor-executivo da Newlight Technologies.

E não são só garfos. A empresa faz cadeiras, películas, e capas de telemóvel. A tecnologia da Newlight extrai o carbono do ar poluído, liquidifica-o, e reconstitui a sua estrutura molecular. O resultado é aquilo a que chamam um termoplástico de carbono negativo de alto rendimento e baixo custo.

«Quer dizer, tudo começou por causa das implicações ambientais. Nos primeiros tempos foi essa a nossa motivação. Mas há dez, quase onze anos, já sabíamos que se fôssemos bem-sucedidos se abriria um mercado para a extração do carbono. Que deixaria de ser necessário andar a insistir com as pessoas para reduzir as suas emissões de carbono, e de lhes impor taxas. Que, pelo contrário, tais emissões passariam a ser uma fonte de rendimento. E que, no que ao plástico concerne, a extração de carbono também poupa dinheiro. Ainda assim as implicações ambientais são as mais significativas: afinal sempre estamos a substituir o petróleo por algo que até reduz a quantidade de carbono na atmosfera», refere Mark Herrema.

À medida que todos vivemos cada vez mais preocupados com o impacto ambiental das emissões de dióxido de carbono, o AirCarbon parece ser a solução certa na hora certa.

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