Um oceano escondido sob a superfície gelada de uma lua de Saturno, a Encelado, poderá acolher vida microbiana extraterrestre, anunciou a agência espacial norte-americana NASA.

Os astrónomos admitiram, pela primeira vez, a possibilidade de existir um oceano subterrâneo nesta lua, em 2005, depois de a sonda Cassini, da NASA, ter detetado vapor a sair de vários buracos, perto da sua extremidade sul.

A área deste mar oculto é quase equivalente à do Lago Superior, nos Estados Unidos, o segundo maior da Terra, e o seu fundo é constituído por rochas, o que, de acordo com os cientistas, pode ser uma condição favorável para o desenvolvimento de pequenas formas de vida.

Linda Spilker, líder da missão Cassini, precisou que a água detetada em estado líquido é salgada e contém moléculas orgânicas, «os ingredientes químicos elementares para formar vida».

Os cientistas estimam que o oceano de Encelado, de cerca de 500 quilómetros, está envolvido por uma espessa camada de gelo cristalizado.

«Pela primeira vez, utilizámos um método geofísico para determinar a estrutura interna de Encelado», assinalou, por sua vez, David Stevenson, professor de ciências planetárias no Instituto de Tecnologia da Califórnia e coautor da investigação, cujos resultados foram publicados na revista «Science».

A sonda Cassini foi lançada em 2004 e tem estudado as maiores luas de Saturno. A missão foi conduzida pela NASA, em colaboração com as agências espaciais europeia e italiana.

Os dados agora divulgados foram recolhidos durante três sobrevoos da sonda pela Encelado, entre 2010 e 2012, e analisados com o intuito de se determinar com maior rigor a composição desta lua de Saturno.

Ao todo, o sexto planeta do Sistema Solar, a contar do «astro-rei», tem pelo menos 53 luas, escreve a Lusa.