E se o carro que conduz evitar um perigo que não viu? Como um condutor que passou um sinal vermelho e vai atravessar o seu caminho ou um acidente impercetível ao virar da esquina? A tecnologia está em desenvolvimento nos Estados Unidos e o Governo quer a sua aprovação ainda antes do final do segundo mandato da presidência Obama.

A intenção ainda não passa disso mesmo, mas tem potencial para «alterar as regras do jogo», reduzindo o número de colisões, mortes e ferimentos, de acordo com as autoridades norte-americanas, nesta segunda-feira.

A tecnologia consistiria num sinal de rádio integrado de origem nos veículos e que transmitiria a localização, distância, velocidade e outros dados relevantes. Os carros receberiam os alertas de outros carros e um computador de bordo alertaria o condutor para uma colisão iminente, por exemplo. O aviso poderia chegar sob a forma de uma mensagem, um sinal sonoro ou uma vibração no assento do condutor. Alguns sistemas poderiam, inclusive, travar automaticamente para evitar o acidente, se os fabricantes automóveis considerassem essa possibilidade. Uma tecnologia que funcionaria até 300 metros de distância.

Se a tecnologia for avante, estradas e semáforos podem mesmo começar a «falar» com os carros, para enviar alertas de tráfego intenso ou obstáculos nas vias.

Muitos fabricantes automóveis têm apostado em sensores e radares em algumas gamas, mas o Governo norte-americano entende que esta nova tecnologia não é incompatível com as já existentes, pelo contrário.

A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), o equivalente à Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, tem trabalhado com os fabricantes na última década e estima que as comunicações entre veículos podem prevenir até 80 por cento dos acidentes que não envolvem condutores com excesso de álcool ou falhas mecânicas.

Uma tecnologia que, para a NHTSA, deve ser entendida como uma nova era na segurança rodoviária em que o foco está em «prevenir os acidentes em primeiro lugar» em vez de concentrar-se na sobrevivência dos acidentados.

O Governo não antecipa em quanto os carros podem encarecer com esta tecnologia, mas o valor estimado é de 100 a 200 dólares por veículos, ou seja, entre 75 e 150 euros, segundo especialistas.

Um projeto teste da tecnologia foi lançado no Michigan em agosto de 2012. De acordo com o departamento de transportes, os 3 mil veículos em teste têm mostrado que a tecnologia pode evitar 80% dos acidentes.

O «veículo-para-veículo» não vai comprometer a privacidade dos condutores uma vez que o processo de recolha de dados não envolve a troca ou a gravação de informações pessoais.