O astronauta italiano Paolo Nespoli contou, esta sexta-feira, a um grupo de crianças portuguesas como foi viver, durante seis meses, com mais cinco «extraterrestres» na Estação Espacial Internacional, onde o seu «maior susto» era estragar equipamentos, muito caros.

O encontro, em tom descontraído, ocorreu no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Paolo Nespoli, de 56 anos, está na capital portuguesa, a convite da organização da exposição «European Space Expo», que decorre até segunda-feira no Terreiro do Paço.

No sábado, dará uma conferência no Cinema São Jorge, onde relatará a sua experiência, a bordo da missão MagISStra, que durou seis meses, entre 2010 e 2011.

Ao Pavilhão do Conhecimento, chegou informal, envergando um blusão azul com emblemas, o seu nome, a bandeira de lapela de Itália e as iniciais da Agência Espacial Europeia (ESA).

«Sabem quem eu sou?», perguntou, em inglês. De imediato, em uníssono, as crianças responderam, em português, depois de traduzida a questão, que era um astronauta.

Paolo Nespoli, que é astronauta da ESA há 15 anos, explicou que uma viagem até ao Espaço «não é fácil», apesar de durar 8,5 minutos, após a descolagem do vaivém de solo terrestre.

Definiu a Estação Espacial Internacional - que ocupa uma área equivalente a um campo de futebol - como uma «pequena casa» onde os astronautas «trabalham e vivem», e dormem em sacos-cama, em cubículos à medida do corpo.

Onde não há gravidade, não há chão nem teto. «Não há cima nem baixo», assinalou. Logo, não se anda, como que flutua-se, e, para evitar acidentes, como bater a cabeça vezes sem conta ou ser projetado contra a parede, há que manter as mãos apoiadas.

Andar de bicicleta, só com pedais e com um cinto preso à parede. Correr, só numa minipassadeira e agarrado a um gancho.

«E como fazem chichi e cocó?», perguntou um miúdo, perante a risota da sala. Na Estação Espacial Internacional, os astronautas fazem as necessidades básicas num recipiente próprio, que tem uma espécie de aspirador que suga a urina e as fezes, esclareceu Paolo Nespoli.

Quanto ao «maior susto» quando, ele, Paolo, vai para o Espaço, respondeu que é o receio de partir algum dos equipamentos usados nas experiências científicas, «difíceis de fazer e que custam muito dinheiro».

Experiências como as de fazer crescer plantas na estação espacial, onde o Sol é substituído por luzes.

À pergunta se viu um OVNI, respondeu que não, apesar de ter vivido, durante seis meses, com mais cinco «extraterrestres» como ele, os seus companheiros de bordo, astronautas como ele.

No final, antes da fotografia de conjunto para a posteridade, Paolo Nespoli deixou uma mensagem às crianças, depois de estas terem dito o que queriam ser quando «fossem grandes», a de que os sonhos são possíveis.

O dele, Paolo, foi possível. Ser astronauta, desde pequenino, depois de ver a Lua, a mesma que olhou mais de perto quando esteve seis meses fora da Terra, como um «extraterrestre».