Cientistas do Instituto de Biotecnologia Molecular da Acedemia de Ciências Austríacas desenvolveram em laboratório miniaturas de cérebros humanos. O feito, segundo os especialistas, pode alterar a nossa compreensão sobre doenças neurológicas.

Do tamanho de ervilhas, com 44 milímetros, as estruturas alcançaram um desenvolvimento semelhante ao de um feto de nove semanas, incapazes de pensar. Os cientistas reproduzem em laboratório algumas das etapas iniciais do desenvolvimento cerebral, noticia a BBC.

O estudo acerca do cérebro humano, que é uma das estruturas mais complicadas existentes no universo, foi publicado na revita «Nature» e foi usado para aumentar a compreensão de doenças raras.

Os cientistas usaram células-tronco embrionárias ou células da pele adulta para produzir a parte do embrião que formará o cérebro. Colocaram essa parte em gotículas de gel para que o tecido crescesse e, num bio-reator giratório, forneceram às células os nutrientes e oxigénio essenciais.

As células cresceram e organizaram-se em diferentes partes do cérebro, como o córtex e uma versão inicial do hipocampo, bastante ligado à memória num cérebro adulto plenamente desenvolvido.

«Os nossos órgãos servem para modelar o desenvolvimento do cérebro e para estudar qualquer coisa que cause defeitos nesse desenvolvimento», explicou Juergen Knoblich, um dos investigadores do projeto.

De acordo com este responsável, o objetivo é ampliar o conhecimento a respeito de distúrbios mais comuns, como a esquizofrenia e o autismo.

A novidade chamou a atenção do universo dos cientistas. «É surpreendente», disse à BBC Paul Matthews, professor do Imperial College, em Londres.

«A noção de que podemos tirar uma célula da pele e transformá-la em algo que se assemelha a um cérebro é simplesmente extraordinária», acrescentou.

Outros cientistas estão a usar as descobertas para investigar uma doença chamada microcefalia, cujos portadores possuem cérebros mais pequenos do que o normal.

Ao criar um minicérebro com células de pacientes de micocefalia, a equipa conseguiu estudar mudanças no desenvolvimento cerebral dessas pessoas e concluir, por exemplo, que as células desses pacientes se adiantavam na transformação em neurónios.