Um grupo de cientistas que integra um português demonstrou que as bactérias cultivadas isoladamente aproveitam melhor os nutrientes e criam populações mais numerosas, o que é importante para processos como o da produção de iogurte ou de queijo.

Filipe Branco dos Santos, da Vrije Universiteit (universidade) de Amesterdão, explicou esta sexta-feira à agência Lusa que, com as bactérias isoladas, deixa de haver competição direta pelos nutrientes e passa a existir uma concentração de esforço na eficiência, sendo aproveitados todos os recursos para aumentar a população.

«Parece que as bactérias que crescem mais rápido são menos eficientes [pois] tiram menos rendimento dos substratos que lhes são dados, o que significa que, com base na mesma quantidade, neste caso de açucar, que lhes é dada, a população final que se obtém é muito menor», disse o investigador.

As células da população não consomem todos os nutrientes porque o seu número não aumenta tanto quanto possível, embora cada uma cresça com alguma velocidade.

«Sabíamos que a maneira como cultivávamos bactérias, nós e a indústria, é uma forma que seleciona aquelas que se desenvolvem rapidamente, que criam populações muito rapidamente, mas essas populações não são tão numerosas quanto podiam ser, portanto muitos substratos [alimentos] são desperdiçados», especificou Filipe Branco dos Santos.

Esta descoberta pode ser muito relevante em processos industrais que utilizam o cultivo de bactérias, como na produção de iogurte ou queijo, em que é necessário gerar biomassa suficiente para depois introduzir estes reatores em muitas toneladas de leite.