Por: tvi24 | 8- 2- 2012 21: 9
A Associação de Empresas de Software Open Source Portuguesas (ESAOP) calcula que o Ministério da Administração Interna
(MAI) possa ter gasto vários milhões de euros a mais, ao adjudicar directamente o licenciamento de programas informáticos,
noticia a Lusa.
Depois de uma adjudicação de quase 10 milhões feita em 2009 à Microsoft, no passado dia 2 o Conselho
de Ministros anunciou que autorizou aquele Ministério a fazer outra adjudicação à mesma empresa, e para o mesmo efeito, no
valor de cerca de nove milhões de euros.
A ESOP considera que a atitude do Governo «não respeita a lei da concorrência
e os mais elementares princípios da boa gestão dos dinheiros públicos», escreve em comunicado divulgado hoje.
Acrescenta
ainda que «não poderá existir uma "relevante redução de despesa", sem uma verdadeira concorrência e sem o fim de privilégios».
Contactada
pela Lusa, a associação disse não poder calcular o valor que o Estado poderia ter poupado se tivesse realizado concurso para
as licenças, já que não obteve resposta ao pedido que fez em 2009 para saber a que tipo de licenças se referia o contrato
de então.
Contudo, numa simulação, e admitindo que um dos contratos se refere ao licenciamento de software de produtividade
para computadores pessoais com o sistema operativo Windows, a poupança seria de metade do investimento se optassem por programas
de empresas portuguesas, sócias da ESOP.
Já sobre a possibilidade de o outro contrato se referir ao licenciamento
do próprio sistema alternativo, o recurso a empresas nacionais ficaria por apenas um terço do valor investido, atendendo,
nos dois casos, a que os contratos abrangeriam licenças para os quase 50 mil funcionários tutelados pelo Ministério da Administração
Interna.
Na estimativa enviada à agência Lusa pela ESOP as poupanças poderiam atingir quase 4,5 milhões de euros,
nos dois contratos, se tivessem sido realizados concursos públicos.
«Portugal não poderá sair da situação em que
se encontra se continuarem a existir "áreas protegidas", onde a concorrência não é admitida», considera a Associação, que
reúne mais de 20 empresas.
A Lusa tentou obter um comentário do Ministério da Administra Interna, mas tal não foi
possível em tempo útil.
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