A poucas semanas de a sonda 'New Horizons' passar perto de Plutão, a análise das imagens enviadas pelo telescópio espacial 'Hubble' desse planeta anão lançaram nova luz sobre as órbitas e características dos seus satélites.

Os pormenores sobre as propriedades dinâmicas e físicas das quatro pequenas luas que orbitam em volta do planeta podem ajudar a entender mais coisas sobre o sistema de Plutão e de outros planetas pequenos com satélites, segundo um estudo publicado esta quarta-feira na revista Nature.

Na última década, descobriu-se que Plutão tem quatro pequenas luas – Estige, Nix, Cérbero e Hidra – orbitando em torno do sistema binário formado por Plutão e pela sua maior lua, Caronte.

Plutão e Caronte são dois corpos de tamanho semelhante, que orbitam em torno de um centro de gravidade comum, formando o único sistema binário do Sistema Solar.

Ao longo da última década, as imagens do telescópio espacial 'Hubble' revelaram a existência de mais quatro satélites, com períodos orbitais de entre 20 e 40 dias.

Graças à observação de imagens enviadas pelo 'Hubble', os astrónomos norte-americanos Mark Showalter, do Instituto SETI, e Douglas Hamilton, da Universidade de Maryland, deduziram detalhes da configuração orbital e da luminosidade das pequenas luas.

Além de confirmarem que as luas de Plutão estão em órbitas muito próximas, os autores inferem novas relações entre os períodos orbitais, resultados que podem ajudar a perceber como é que os planetas e os satélites se formam e se mantêm estáveis nas respetivas órbitas durante milhares de milhões de anos.

Os resultados sugerem que a Nix e a Hidra realizam uma rotação caótica em torno de Plutão e Caronte, o que implica que um observador do planeta anão não verá a mesma face dessas luas de uma noite para a outra, além de que ambos os satélites têm as suas órbitas interligadas, embora possam ser arrastadas para o caos devido à interação de outros corpos.

Nix e Hidra – descobertas em 2005 – têm superfícies brilhantes semelhantes à de Caronte, ao passo que a de Cérbero – descoberta em 2011 – pode ser muito mais escura, o que levanta questões sobre como se formou este sistema de satélites misto.

Em julho, a sonda New Horizons passará perto de Plutão e os cientistas esperam que as suas observações solucionem algumas das perguntas ainda sem resposta sobre o sistema de Plutão.