A utilização do sistema dos códigos de barras nos hospitais pode reduzir até 42% os erros de medicação e a sua aplicação generalizada na área da saúde permite poupanças que podem chegar aos 791 milhões de euros a 10 anos.

Um estudo que será apresentado esta semana em Lisboa, desenvolvido pela consultora do economista Augusto Mateus, mostra que há um potencial de poupança a 10 anos para a economia entre 561 milhões e 791 milhões de euros com a aplicação de uma tecnologia como a dos códigos de barras.

Segundo João Castro Guimarães, responsável da GS1 (entidade sem fins lucrativos que introduziu os códigos de barras em Portugal há 29 anos), trata-se atualmente de uma tecnologia mais evoluída do que os códigos de barras simples e que permite transmitir um maior número de dados.

Com a experiência conseguida com a rastreabilidade na área do comércio a retalho e com as melhorias tecnológicas introduzidas, é possível aplicar este sistema numa área «sensível como a da saúde».

«Na Europa, a grande maioria dos países já usa esta tecnologia na área da saúde», referiu João Castro Guimarães à agência Lusa, admitindo que este sistema permite imaginar um hospital ou uma farmácia como um hipermercado, ao nível da gestão e identificação de stocks.

Aqueles códigos podem ser aplicados a medicamentos ou dispositivos médicos e permitem «ter uma rastreabilidade da qualidade» de cada produto. Em termos de segurança para o doente, esta tecnologia permite reduzir até 42% os erros na medicação.

Aliás, João Castro Guimarães refere que, com este sistema, poderiam ter-se evitado os casos de cegueira de seis doentes no hospital de Santa Maria, que ocorreram em 2009, depois de lhes terem sido administradas injeções intraoculares.

O sistema avançado de códigos de barras (que é uma codificação única e universal) possibilita ainda detetar de forma fácil qualquer produto falsificado ou contrafeito, através de um sistema de seriação.

Esta serialização dos medicamentos permite que cada unidade distribuída em hospital ou vendida em farmácias tenha um número de série. Esse número de série permite logo identificar qualquer produto contrafeito, explicou João Castro Guimarães.

Segundo o estudo da consultora de Augusto Mateus, este sistema permite maior segurança do doente, maior comunicação entre os diversos atores da cadeia e um melhor controlo por parte das autoridades sanitárias e de regulação.

Sobre os ganhos, o estudo indica que os hospitais podem ter poupanças potenciais de 204 milhões de euros, o que significa 4,4 milhões para um «hospital-tipo», poupanças atingidas a 10 anos.

Já as farmácias podem obter poupanças de 129 milhões de euros, os grossistas de 99 milhões, a indústria farmacêutica alcançaria benefícios de 68 milhões e a área dos dispositivos médicos poupanças de 60 milhões de euros.