O baterista dos Grateful Dead , Mickey Hart, está a ajudar os cientistas a descobrir que relações existem entre a percussão e o cérebro humano. A experiência pode servir para perceber até que ponto o ritmo pode ajudar a cabeça a durar mais tempo, a envelhecer mais devagar ou a funcionar mesmo como uma forma de terapia.
 
Hart usa uma bateria eletrónica para navegar através de um mundo virtual. A cada batida os sensores que tem ligados ao corpo recolhem informação: os movimentos dos olhos, a batida cardíaca, a temperatura da pele, a actividade cerebral, tudo fica gravado e registado, e depois é usado para criar uma imagem em tempo real de como o seu cérebro funciona.
 
Trata-se do primeiro cérebro virtual na História da Humanidade. Combina neurociência, realidade virtual e videojogos, e está na base de uma ambiciosa experiência da Universidade da Califórnia, em São Francisco, Estados Unidos.
 
Com este visualizador, os cientistas e o músico acreditam poder vir a desenvolver tratamentos para doenças neurológicas baseados no ritmo. Hart diz que já testemunhou em primeira mão o poder curativo do ritmo, e não foi só enquanto fez parte de uma das bandas mais populares de sempre nos Estados Unidos.
 
«A minha avó não dizia uma palavra há anos. Ela tinha Alzheimer. Um dia, toquei para ela, só uma pequena variação, e ela disse o meu nome. Foi há muito tempo, nos anos 70, e apercebi-me do poder que o ritmo tem. E é disso que se trata», explica o músico.
 
A equipa de neurocientistas garante que o ritmo pode funcionar como uma droga, um medicamento e que no futuro poderá afinar os padrões rítmicos de maneira a reconfigurar e restabelecer circuitos neuronais que estejam danificados.
 
«Uma parte crucial no funcionamento do nosso cérebro é precisamente o timing, a capacidade de sincronização ao milésimo de segundo. Sabemos que quando essa sincronização falha, o processamento da informação pelo cérebro deixa de corresponder ao esperado, e que isso influencia a forma como lidamos com o mundo. A ideia é que, se conseguirmos ensinar o cérebro a sincronizar-se melhor, em termos rítmicos, o indivíduo e o seu cérebro estarão mais perto de um funcionamento ideal», afirma o cientista Adam Gazzaley. 

Os neurocientistas dizem que o potencial desta pesquisa é tremendo. E enquanto os trabalhos prosseguem, Mickey Hart garante que vai continuar a marcar a batida, em nome da ciência.