A cidade de Colónia é a quarta maior cidade da Alemanha. Tem um dos maiores portos fluviais e é considerada a capital urbana, administrativa, económica, histórica e cultural da Renânia.
Mistura o antigo e o novo com um centro histórico sossegado à beira-rio.

À noite sai-se para jantar ou namorar nestas esplanadas. Mas quem por estes dias encontramos debaixo dos toldos são «gringos», estrangeiros, malta dos computadores e dos jogos de computador, com t-shirts escuras e logótipos desconhecidos; parecem «groupies» de uma banda rock, trazem vontade de se divertir e são eles que por uns tempos vão encher estas ruas até há pouco calmas. Até porque há concertos no City Festival, todas as noites, cidade fora.

É a semana da Gamescom. No ano passado Lisboa recebeu a Final da Liga dos Campeões Europeus, e esta feira recebeu 350 mil pessoas vindas de todo o mundo. E são só
videogames.

Colónia tem, vá lá, um milhão de pessoas. Ou seja, por estes dias a cidade engorda um quarto do seu peso, com gente que vem de todo o lado, ao cheiro dos videojogos. Na rua é impossível não se dar por eles. Os bilhetes esgotaram duas semanas antes.

A Koelnmesse, a Feira de Colónia propriamente dita, ocupa 140 mil metros quadrados, 20 campos de futebol equivalente a três Feiras Internacionais de Lisboa.

Inclui espaço para atividades indoor, ininterruptas... Mas muito outdoor também. Há um acampamento, para quem passa os quatro dias, com tudo o que é suposto acontecer, noites à volta da fogueira, namoros, toda a espécie de excessos e os jogos também.

Há uma série de conferências da GDC, o maior encontro europeu de profissionais dos videojogos.
E um centro de negócios onde mais de 700 expositores negoceiam milhões, o que não fazem lá fazem nos hotéis que tomaram de assalto nas redondezas da feira.

Mas no fim, é aos jogos que viemos. É pelos jogos que cá estamos. Foi de jogos que viemos vestidos. É de jogos que vamos voltar ainda mais vestidos.

Estão cá os produtores independentes, sim, o miúdo que inventou agora um jogo todo «xpto», à noite, trancado no seu quarto, ou na garagem, com mais um amigo, e vai ser a próxima superestrela da indústria mas agora ainda se consegue falar com ele. O piso dos «indies» também está cheio de banquinhas, lojinhas, com perucas e roupas, bonecos, máscaras, nem que seja a t-shirt do nosso super-herói favorito. Coisas usáveis, outras coisas colecionáveis.

Lá em cima, estão os pavilhões enormes da Sony Playstation, da Microsoft, da Nintendo. Mas também a Electronic Arts, a Ubisoft, a Activision Blizzard, a Bethesda, a Konami, a Namco Bandai, a 2K, a Warner Brothers. E a Turtle, e a Nvidia, a Benq e a Alienware, a Oculus e a Steam.

As marcas que dominam o mercado também trazem dezenas de figurantes, vestidos a rigor, encenam cenários, assumem personagens. As marcas não se poupam a gastos e a experiências. Cabe de tudo num pavilhão destes.

A Gamescom é para todos os efeitos a E3 europeia. Só que a feira de Los Angeles, dois três meses antes basicamente mostra trailers, projetos. Mas em Colónia, os jogos já começam a estar prontos e a sair para o mercado - a tempo do Natal, que é a época alta. Fazem-se filas, três voltas ao quarteirão, para conseguir jogar. E metem-se em arenas imensas, em batalhas acérrimas com dezenas, centenas de pessoas que não conhecem de lado nenhum.

Homens, e mulheres. Cada vez mais mulheres. E pessoas mais velhas também. A indústria perdeu o medo aos jogos assumidamente adultos, mais intensos e complexos.