Físicos norte-americanos anunciaram hoje a deteção direta de ondas gravitacionais primordiais, os primeiros ecos do «Big Bang», que marcou o nascimento do Universo, há cerca de 14 mil milhões de anos.

A «primeira evidência direta da inflação cósmica» foi captada pelo telescópio BICEP2, no Polo Sul, e anunciada por peritos do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, que analisaram as imagens durante três anos.

A existência das ondas do espaço-tempo - previstas, mas não testadas, na teoria da relatividade de Albert Einstein (1879-1955) - testemunham a expansão extremamente rápida do Universo na primeira fração de segundo da sua existência, uma fase chamada de inflação cósmica.

«A deteção deste sinal é hoje um dos objetivos mais importantes em cosmologia e resulta de um enorme trabalho conduzido por um grande número de investigadores», assinalou John Kovac, professor de astronomia e física no Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian e responsável pela equipa de investigação BICEP2, que fez a descoberta.

Segundo um outro investigador, o físico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, o feito «traz uma nova luz a certas questões, as mais fundamentais», como a de que forma começou o Universo.

«Não só estes resultados são a prova irrefutável da inflação cósmica, mas também nos indicam o momento da expansão rápida do Universo e do poder deste fenómeno», sustentou, citado pela agência AFP.

A deteção direta de ondas gravitacionais primordiais resultou de observações do fundo difuso cosmológico, uma radiação fraca deixada pelo «Big Bang».

De acordo com os cientistas, as minúsculas flutuações fornecem sinais do Universo na sua primeira infância. Pequenas diferenças de temperatura através do céu revelam onde o Cosmos era mais denso e onde se formaram as galáxias.