As pessoas com dores na coluna lombar podem ter herdado esses problemas de um defeito que ocorreu durante o processo de evolução. É o que conclui um novo estudo publicado na revista científica «BMC Evolutionary Biology», que reuniu especialistas da Escócia, do Canadá e da Islândia.

De acordo com os cientistas, aquelas pessoas têm uma coluna com um formato mais parecido com o do chimpanzé, o antepassado mais próximo do homem. Um 'nó' nos discos da coluna vertebral deixa o alinhamento das vértebras mais parecido com o dos animais do que com as vértebras normais dos seres humanos.

Os cientistas acreditam que uma lesão pode ter feito com que a coluna vertebral tenha evoluído de forma diferente em certas pessoas, à medida que o ser humano ia evoluindo para a posição ereta e para andar com duas pernas.

Os investigadores, citados pela BBC News, acreditam que a descoberta pode ajudar os médicos a prever quem corre o risco de ter problemas lombares.


Chimpanzés (Foto: Reuters)


A equipa de cientistas analisou as vértebras de chimpanzés, orangotangos e esqueletos humanos primitivos para investigar a relação entre o formato da coluna vertebral, a posição ereta e a saúde da coluna vertebral humana.

O Professor Mark Collard, da Universidade de Aberdeen, na Escócia, revelou que as análises forneceram informações valiosas sobre a saúde e o estilo de vida dos antepassados dos seres humanos.

Os esqueletos analisados também forneceram informações sobre a forma como os humanos evoluíram para andarem nas “patas traseiras”.

“Descobrimos que as vértebras de humanos com problemas de disco são mais parecidas em formato com a dos chimpanzés do que com as vértebras normais de humanos”, explicou Mark Collard.


Os pesquisadores constataram que aqueles indivíduos têm uma lesão chamada nó de Schmorl - uma pequena hérnia discal.

Embora não haja uma causa específica para o nó, ele pode estar ligado ao stresse e à carga sobre a coluna lombar.

Os cientistas defendem que a evolução não é um processo perfeito e que, durante milhares de anos, os humanos não se adaptaram todos da mesma forma.

“O nosso estudo sugere que as vértebras de algumas pessoas podem ser menos adaptadas para o andar de forma ereta”, concluiu Mark Collard.