Os doentes na Europa estão a sofrer atrasos significativos no acesso a dispositivos cardiovasculares já aprovados devido a problemas burocráticos, de acordo com um artigo publicado no jornal da Sociedade Europeia de Cardiologia.

O artigo, da autoria do presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia e recém-eleito presidente da Faculdade de Medicina de Lisboa, o português Fausto Pinto, aponta para uma correlação direta entre a diminuição da mortalidade devido a doenças cardiovasculares e a introdução de técnicas e dispositivos inovadores.

“Estes dispositivos são seguros, aprovados pelos organismos reguladores e incluídos nas orientações, mas a sua inclusão no sistema de reembolsos fica para trás”, refere Fausto Pinto, concluindo que “os doentes podem ver atrasado o acesso aos tratamentos recomendados de vido a atrasos burocráticos”.


O efeito deste atraso, adiantou o presidente da Sociedade Europeia de Cardiologia, é que o retorno do investimento é reduzido, levando as empresas a diminuir o investimento em investigação e desenvolvimento para futuras terapias com dispositivos.

“A inovação em dispositivos cardiovasculares é desesperadamente necessária para travar uma epidemia de doenças cardiovasculares que são a principal causa de morte na Europa”, frisou o cardiologista.


Fausto Pinto alertou para o envelhecimento da população e consequente aumento de doenças como a diabetes ou a obesidade que agrava ainda mais o problema.

O estudo hoje publicado aponta para 40 por cento da população que, em 2030, sofrerá de pelo menos uma doença cardiovascular.